sábado, 28 de maio de 2011

O batismo é necessário para a salvação? E o caso do "bom ladrão"?

Se, como Jesus disse, devemos ser batizados para entrar no Reino de Deus como mostra Jo 3,5, então como pôde o ladrão na cruz (Lc 23, 40-43) ser salvo?

Várias possibilidades:

1.O ladrão poderia já ser batizado e nós não temos como saber. Várias pessoas receberam o batismo das mãos dos apóstolos (Jo 3:22-4:3 -- note como isto é enfatizado na conversa em que Jesus reafirma na necessidade do batismo).

2.A idade cristão ainda não iniciara, e o batismo cristão ainda não poderia ser cobrado.

3.De qualquer modo o ladrão claramente recebeu o batismo de desejo. Ele desejou fazer de tudo para ficar ao lado de Jesus e ser salvo; havia uma impossibilidade física que o impedia de fazer qualquer coisa na cruz.

Qualquer uma destas razões, e especialmente as duas últimas, são suficientes para mostrar como o ladrão pôde ser salvo.

É de certa forma impressionante como os fundamentalistas buscam neste fato uma prova da não necessidade do batismo. A Igreja Católica nunca considerou isto como um problema pois seu sentido é por demais óbvio. Tais pesoas revelam um profundo desentendimento acerca da Palavra de Deus, não compreendendo suficientemente tal ensinamento.

Autor: James Akin
Tradução: Rondinelly Ribeiro.
Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/artigosgracajustificacaopecadooriginal/784-batismo-e-o-qbom-ladraoq--necessario-ou-nao

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Aborto não é questão de fé, mas de Direitos Humanos

Buenos Aires, 09 Ago. 10 / 01:18 pm (ACI).- O especialista Guillermo Cartasso, presidente da Fundação Latina, explicou que defender a vida contra o aborto "não é uma questão religiosa e sim um tema institucional de direitos humanos" ao referir-se ao recente debate suscitado por uma guia técnica para a atenção dos casos não puníveis contemplados no Código Penal na Argentina.

Cartasso, que faz parte da comissão Episcopal de Seguimento Legislativo na Argentina presidida pelo Bispo Auxiliar de La Plata, Dom Antonio Marino, advertiu que a defesa da vida contra o aborto é um tema "de fundo" que, segundo o artigo 75, inciso 12, da Constituição Nacional, corresponde "ser tratada pelo Congresso Nacional e não pode ser legislada pelas legislaturas provinciais nem municipais".

"Portanto –sublinhou– toda forma de aborto que pudesse aprovar uma legislatura local é um ato inconstitucional".

O doutor Cartasso sustentou que "do momento da concepção há vida humana. Com efeito, desde que o óvulo é penetrado pelo espermatozóide se conforma uma unidade com todos os elementos genéticos de um novo ser humano distinto do da mãe".

"Embora esteja recém concebido está protegido pela Constituição Nacional" conforme estabelece o artigo 75, inciso 22; e pelo Código Civil que no seu artigo 51 assinala: "todos os entes que apresentem sinais característicos de humanidade, sem distinção de qualidades ou acidentes, são pessoas de existência visível’. Por esta exposição os seres humanos recém concebidos sem distinção de qualidades ou acidentes são reconhecidos como pessoas de existência visível".

O perito recordou ademais que "o direito à vida, que inclui o direito a nascer, é o primeiro direito humano, o direito humano que é fundamento de todos outros direitos. A palavra ‘aborto’ está tão desgastada que oculta a realidade do que ocorre: o homicídio de uma criança antes de nascer, indefeso, inocente e sem voz".

Guillermo Cartasso disse logo que "cai toda a estrutura, pensamento e praxe dos Direitos humanos se autorizam o homicídio pré-natal, quer dizer o aborto (mesmo sob eufemismos como ‘interrupção da gravidez, etc.) do ser humano concebido".

Cartasso explicou que "para o caso que se trate de uma gravidez ‘não desejada’ se está ante o conflito entre dois bens jurídicos tutelados: por um lado a vida do ser humano concebido; por outro a liberdade da mulher de continuar com sua gravidez", mas reiterou que "o valor da vida humana é superior ao valor da liberdade já que sem vida não há liberdade nem nenhum outro direito".

"A situação de ‘gravidez não desejada’ não autoriza o homicídio pré-natal. Na verdade, o concebido não nascido é inocente porque não foi o causador do delito e sim uma conseqüência do mesmo. Ao mal que significa o delito, soma-se outro mal que é o de dar morte à criança que está por nascer. Quando acontece uma gravidez não desejada o Estado deveria oferecer ajuda real e concreta, com toda sua força, para cuidar tanto da vida da mãe como a da criança não-nascida".

Finalmente ele precisou que "o aborto não só é um verdadeiro homicídio pré-natal, mas tampouco elimina o trauma compreensível que a mulher sofre, mas acrescenta a ela um segundo trauma, que é o de ter abortado. Trauma e morte são realidades trágicas que o aborto suporta. Por isso será preciso cuidar da saúde da mãe e a vida da criança concebida".

Autor: ACI - Digital
Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=19736

Madre Teresa: A freira que desafiou o sistema de castas

Entrevista com o pe. Joseph Babu, porta-voz da Igreja indiana

ROMA, segunda-feira, 2 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Há quase cem anos, a 26 de agosto de 1910, nascia em Skopje, na Albânia, Anjeza Gonxhe Bojaxhiu, que viria a ser conhecida como Madre Teresa de Calcutá. Fundadora na Índia da congregação das Missionárias da Caridade, a irmã de pequena estatura dedicou toda sua existência aos marginalizados.

Tinha amigos influentes entre líderes políticos e artistas, mas, acima de tudo, estabeleceu uma ligação muito forte com João Paulo II. A ele, como a outros, pedia por orações e ajuda econômica aos mais pobres: em 1979, laureada com o Prêmio Nobel, recusou o tradicional banquete cerimonial e pediu que a verba que seria gasta fosse destinada aos miseráveis de Calcutá. Naquele dia, lhe perguntaram: “O que podemos fazer para promover a paz no mundo?”. E Teresa respondeu: “Voltem para suas casas e amem suas famílias”.

Nesta entrevista concedida à ZENIT, pe. Joseph Babu, porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, fala da herança deixada por esta religiosa.

ZENIT: Qual foi impacto sobre a sociedade indiana da presença de Madre Teresa? Quais foram as principais mudanças ocorridas desde sua morte?

Pe. Babu: Madre Teresa exerce ainda um fascínio universal aqui na Índia. Pessoas de todos os credos e culturas têm-lhe alta estima, considerando-a uma santa. Vão ao seu túmulo orar por ela, e os eventos organizados para comemorar o centenário de seu nascimento atraem um grande número de pessoas. Em Nova Deli, as cerimônias públicas contarão com a presença do presidente da Índia, a 28 de agosto.

Muitas mudanças foram verificadas em sua congregação na medida em que esta continua a crescer a atrair jovens mulheres. Irmã Nirmala Joshi, que assumiu o lugar de Madre Teresa, tendo se convertido do hinduísmo ao catolicismo, é capaz de sensibilizar todos os setores da sociedade indiana: tem feito um trabalho admirável à frente das Missionárias da Caridade, a ponto de ser condecorada com a medalha Padma Vibhushan, a segunda mais alta honra civil concedida pelo presidente da Índia.

ZENIT: Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz no final dos anos 70. O que ainda resta de seu ensinamento?

Pe. Babu: O Nobel foi concedido por seu trabalho beneficente em favor dos mais pobres dentre os pobres. Graças a ela, muitas pessoas se sentiram inspiradas a se dedicar àqueles que estão à margem da sociedade.

Madre Teresa era uma mulher simples, mas muito estimulante, e a Igreja indiana tinha orgulho de sua presença e de sua contribuição para a sociedade. Muitas pessoas, inclusive não cristãs, são ainda hoje inspiradas pelo exemplo de sua vida e seu trabalho, dedicando-se a obras de caridade.

ZENIT: Quais foram as solicitações apresentadas à Igreja indiana por Madre Teresa?

Pe. Babu: Sua mensagem era muito simples: Jesus ama a todos. Ela exortou a Igreja a levar adiante esta missão de dar amor a todos, e de conceder a todos a possibilidade de salvação. Por onde passava, pedia sempre às pessoas que trabalhassem por Jesus.

Era também muito ativa diante dos problemas sociais que afligem a Índia, como o sistema de castas que oprime amplos segmentos da sociedade. Não se preocupava com as críticas que a acusavam de glorificar a miséria, ou ainda, que sua atuação não era capaz de conduzir a reais mudanças sociais. Poderia ter respondido gentilmente que havia sido chamada a fazer o pouco que era capaz, e que os outros poderiam fazer o mesmo.

ZENIT: Quais são os principais problemas que os católicos da Índia devem enfrentar hoje?

Pe. Babu: O problema principal e a ameaça por parte de grupos fundamentalistas de direita, que têm colocado nosso pessoal e nossas instituições sob sua mira. Nosso status de minoria tem sido ameaçado, o que torna mais difícil para nós administrar de modo estável a Igreja local. Nenhum missionário estrangeiro pode vir à Índia para um trabalho de longa duração, e os poucos que conseguiram ser admitidos estão sendo convidados a deixar o país. Com relação aos auxílios financeiros provenientes do exterior, estes são constantemente monitorados e controlados, o que torna o trabalho ainda mais difícil.

ZENIT: Poderia contar alguma curiosidade a respeito da devoção do povo indiano por Madre Teresa?

Pe. Babu: Que esta devoção seja grande pode se notar pelo número de pessoas que vão constantemente orar em seu túmulo. Pessoas de outras religiões deram seu nome a escolas e universidades. Muitos países estrangeiros deram o nome de Madre Teresa a estradas e avenidas; alguns emitiram selos e moedas comemorativas em sua homenagem.

Quando Madre Teresa faleceu, o governo indiano concedeu funeral de Estado. Um hindu de nome Navin Chawla, atualmente chefe da comissão eleitoral indiana, publicou uma biografia da Irmã, enquanto outro hindu, Raghu Rai, dedicou um livro de fotografias à sua memória.

ZENIT: Ao receber o Nobel, Madre Teresa chocou o mundo ao expressar seu horror pelo aborto, “diariamente o maior destruidor da paz”, dizendo que “é aceitável que uma mãe mate seu próprio filho”. Como foi a atuação da Irmã junto às mães que não desejavam a gravidez?

Pe. Babu: O que Madre Teresa sempre enfatizava era o valor da vida humana no contexto dos abusos em interrompê-la, ao invés de cultivá-la. O aborto é sempre portanto um crime odioso contra a humanidade, e Madre Teresa não se cansava de denunciá-lo, segundo o ensinamento da Igreja.

Quando, com o argumento de controle de natalidade, alguém se propunha a pôr fim a uma vida, Madre Teresa se opunha dizendo: “Dai-a a mim, cuidarei dela eu mesma”. Assim, acolheu milhares de crianças abandonadas. Sua mensagem era: os seres humanos devem ser amados e protegidos, pois são dons de Deus.

Autor: Mariaelena Finessi
Fonte: http://www.zenit.org/article-25686?l=portuguese

Cânon Bíblico: Como surgiu? Como responder aos argumentos protestantes?

Em síntese: O Prof. Alessandro Lima entrega ao público um estudo minucioso e bem documentado sobre a história do catálogo bíblico: mostra assim que não foi o Concílio de Trento que acrescentou sete livros à Bíblia, mas foi Lutero que os retirou.

Alessandro Lima é professor universitário na área de Engenharia em Brasília. Desde 1999 dedica-se ao estudo do Cristianismo dos primeiros séculos, estudo pelo qual foi levado a deixar o protestantismo e ingressar na Igreja Católica no final de 2000.

Acaba de publicar um livro sobre a história do cânon bíblico, chegando a demonstrar que não foi o Concílio de Trento que acrescentou sete livros à Bíblia, mas foi Martinho Lutero quem os retirou da Bíblia. Nas páginas subseqüentes exporemos o conteúdo da obra de A. Lima em seus traços principais, dada a importância da temática.

1. Nomenclatura


A palavra cânon vem do grego kanón = régua, que por extensão passou a significar catálogo.

Na linguagem católica há livros protocanônicos (catalogados em primeira instância), que os protestantes chamam simplesmente “canônicos”.

Há livros deuterocanônicos (catalogados em segunda instância, depois de discutidos), que os protestantes têm como “apócrifos”. São sete: Tobias, Judite, Eclesiástico, Baruque, Sabedoria, 1/2 Macabeus, além de fragmentos de Daniel e Ester.

Há outrossim livros apócrifos, que os protestantes designam como pseud-epígrafos (=falsamente intitulados): Evangelhos de Tomé, de Pedro, de Nicodemos...

2. Os critérios de inspiração bíblica

A S. Escritura não define o seu catálogo, de modo que é preciso consultar outras instâncias para poder afirmar que tal ou tal livro é inspirado por Deus. – E quais seriam essas instâncias?

1) Há quem diga que “O Espírito Santo afirma claramente que a Bíblia é inspirada por Deus”. Esta é uma noção muito subjetiva, que qualquer personagem pode professar a respeito do Alcorão, dos Vedas...

2) A inspiração divina pode ser averiguada pela inspiração que a Bíblia causa no crente. Com outras palavras: o livro é inspirado porque inspira. – Ora são muitos os livros que inspiram, e, por vezes, mais do que alguns livros bíblicos; ver a propósito as narrativas de guerra de Josué.

3) A sublimidade de estilo do livro o comprovaria como inspirado. – A propósito observamos que muitos livros bíblicos foram redigidos em estilo pouco elegante; tenha-se em vista o Apocalipse, que emprega construções gregas correspondentes a “nós vai”, “eu lhe digo: Toma teus papéis”.

4) O autor do livro e seu nome garantem a inspiração. – Ora há vários livros cujo respectivo autor é ignorado; ver Hb.

Ainda que um livro trouxesse o rótulo: “inspirado por Deus”, não se lhe poderia dar crédito, pois é muito fácil dizer isto sem prova ulterior.

Por conseguinte o critério de inspiração e canonicidade há de ser depreendido de algo de fora da Bíblia, ou seja, da tradição oral, que é anterior à escrita e a acompanha sempre, através do Magistério da Igreja.

3. Dois catálogos do Antigo Testamento


Deve-se notar que os judeus tinham dois catálogos de sua literatura sagrada:

- o de Jâmnia, cidade do Sul da Palestina, onde os rabinos se reuniram por volta do ano 90 para delimitar seu catálogo e evitar que os escritos cristãos se aglutinassem aos do Antigo Testamento. Tais critérios eram fortemente sugeridos pelo nacionalismo de Israel, que desde 587 a.C, estava sob o jugo estrangeiro; assim estipularam que todo livro sagrado deveria ter sido escrito em hebraico (não em aramaico nem em grego); e somente na terra de Israel poderia ter sido inspirado (não no Egito nem na Babilônia). Por força destes critérios não foram reconhecidos os sete livros ditos “deuterocanônicos”;

- o catálogo de Alexandria, onde havia uma famosa colônia judaica, que falava uma língua estrangeira (grego) e vivia em terra estrangeira. Os judeus tanto assimilaram o linguajar local que foram traduzindo a Bíblia do hebraico para o grego entre 250 e 100 a.C. Essa tradução é também dita “dos Setenta” por causa de uma lenda, que afirmava ser ela obra de setenta e dois homens, que, encerrados em cubículos independentes uns dos outros, traduziram as páginas sagradas do mesmo modo. Essa tradução grega contém os sete livros deuterocanônicos e alguns outros livros tidos como sagrados. Eis, porém, que os Apóstolos e evangelistas, escrevendo em grego, citaram o Antigo Testamento na versão dos LXX; é o que se depreende os seguintes exemplos:

Em Mt 1,23, o evangelista usa o vocábulo “virgem” (parthénos) do texto grego em vez de “jovem” (almah em hebraico).

Em At 7,14s Estêvão diz que Jacó levou para o Egito 75 descendentes (LXX) em vez de dizer 70 como se lê no texto hebraico. Cf. Gn 46,26s.

Em At 7,43 Estêvão cita um deus pagão como Renfan (LXX) em lugar do nome hebraico “Quijum”.

Estes dados demonstram que a tradução dos LXX não era utilizada somente pelos judeus de Alexandria, mas também pelos da Palestina. Em conseqüência deste amplo uso dos LXX as gerações cristãs foram propensas a aceitar não somente o texto dos LXX, mas também seu catálogo mais amplo. Isso suscitou hesitações entre cristãos dos três primeiros séculos, mas finalmente a dúvida foi superada pelo reconhecimento dos deuterocanônicos em 393 por parte do Concílio Regional de Hipona, que emitiu um decreto sobre o assunto adotando o cânon amplo, como se lê a seguir:

“Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado: Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Num), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 salmos, três livros de Salomão (um dos provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa Igreja Católica Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas ao Tessalonissenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas de outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)”.

É de notar que tal cânon não assumiu todos os livros contidos no cânon dos LXX: Odes de Salomão, 3/4 Esdras, 3/4 Macabeus... o que só se explica pela ação do Espírito Santo guiando sua Igreja. Aliás foi o Espírito prometido por Jesus à Igreja quem orientou os trâmites para se chegar ao cânon autêntico.

A definição de Hipona foi confirmada por concílios regionais posteriores no Ocidente. Quanto ao Oriente, o Concílio de Trulos (692) repetiu a definição dos concílios anteriores, ficando assim o cânon amplo usual em toda a Igreja. Houve, sem dúvida, vozes destoantes, como a de São Jerônimo. Eis que foi para Belém estudar hebraico com os rabinos e lá assumiu o cânon de Jâmnia, mas mesmo assim traduziu para o latim os deuterocanônicos. Na Idade Média Hugo de São Vítor (1141) também abraçou o cânon restrito. Eram vozes isoladas, que não prevaleceram sobre o pensamento comum da Igreja.

No século XV, em 1454 a primeira Bíblia impressa por Joseph Gutenberg continha os deuterocanônicos, 50 anos antes da Reforma protestante.

O Concílio de Trento (1545-1563) nada acrescentou à Bíblia, foi Martinho Lutero quem eliminou da Bíblia os deuterocanônicos, adaptando-se ao Sínodo de Jâmnia.

Note-se porém, que o próprio Lutero traduziu para o alemão os deuterocanônicos.

Observa o Prof. Alessandro Lima:

“Felizmente alguns estudiosos protestantes em contato com os testemunhos dos primeiros cristãos têm constatado a verdade. É o caso do historiador J.N.D Kelly:

‘Deveria ser observado que o Antigo Testamento admitido como autoridade na Igreja era algo maior e mais compreensivo que o Antigo Testamento protestante [...] ela sempre incluiu, com alguns graus de reconhecimento, os chamados apócrifos ou deuterocanônicos. A razão para isso é que o Antigo Testamento que passou em primeira instância nas mãos dos cristãos era.... a versão grega conhecida como Septuaginta... a maioria das citações nas Escrituras encontradas no Novo Testamento são baseadas nelas preferencialmente do que na versão hebraica... nos primeiros dois séculos... a Igreja parece ter aceitado a todos, ou a maioria destes livros adicionais, como inspirados e trataram-nos sem dúvida como Escritura Sagrada. Citações de Sabedoria, por exemplo, ocorrem em 1 Clemente e Barnabé... Policarpo cita Tobias, e a Didaché cita Eclesiástico. Ireneu se refere à Sabedoria, à história de Susana, Bel e o Dragão (livro de Daniel), e Baruc. O uso dos deuterocanônicos por Tertuliano, Hipólito, Cipriano e Clemente de Alexandria é tão freqüente que referências detalhadas não são necessárias’” (KELLY,1978).

Um parecer semelhante é do também protestante Leonard Rost:

“Algumas dessas obras [os deuterocanônicos] foram acolhidas nas coletâneas de livros sagrados que, de acordo com o testemunho dos grandes unciais gregos do século VI, foram adotados pela Igreja cristã em solo egípcio; mas por certo não o teriam sido, se já não fizessem parte de uma coletânea judaica. Só assim se explica o motivo pelo qual esses escritos encontraram acolhida e gozaram do mesmo prestígio que o Cânon hebraico que, por razões de ordem lingüística, quanto mais tempo se passava, menos acessível se tornava aos cristãos na língua original” (ROST, 1980, p. 19-20).

Infelizmente as alterações do Cânon Bíblico não ficaram somente por conta dos Protestantes. A Igreja Ortodoxa Russa a partir do séc. XVII também retirou os livros deuterocanônicos do AT de suas Bíblias. Os livros 3 Esdras e 3 Macabeus foram declarados canônicos nos Concílios Ortodoxos de Jassy na Romênia (1642) e Jerusalém (1672). A Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia tem 81 livros ao todo na Bíblia, contendo a mais no NT “Atos de Paulo”, “1 Clemente”, “Pastor de Hermas”, etc. No AT da Igreja Etíope é adicionado o “Livro dos Jubileus”, o “Livro de Enoque”, além de 2 Esdras, etc. A peshita (Bíblia da Igreja Ortodoxa Siríaca) exclui 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse” (pp. 95).

4. Objeções protestantes

Os protestantes procuram justificar sua posição, acusando os livros deuterocanônicos de ensinar heresias; assim, por exemplo:

1) a remissão dos pecados mediante a esmola e Tb 4,10; 12,9; Eclo 3,33. Essa prática, dizem nega a eficácia redentora do sacrifício de Cristo.

A propósito observamos: o sacrifício de Cristo é posterior a tais práticas caritativas. O livro dos Provérbios (10,12) propõe a mesma tese; seria, por isto, necessário eliminá-lo do cânon?

O Novo Testamento ensina a mesma doutrina; ver Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma o valor das esmolas juntamente com outras formas de caridade. Ver Mt 6,2: “Quando deres esmola, não faças como os hipócritas...” Cf. 1Pd 4,8; At 10,31.

2) a vingança e o ódio dos inimigos em Eclo 12,6 e Jt 9,4, contradizendo Mt 5,44-48 (“orai por vossos inimigos”). – A respeito vale a pena lembrar que o Eclo pertence ao Antigo Testamento, onde estava em vigor a lei do talião, apresentada em Ex 21,24; Lv 24,20; 19,19-21.

3) a prática do suicídio em 2Mc 14,41. – A propósito vem o caso de Sansão que se suicida; vêm ainda Jz 9,54; 16,28s; 1Sm 31,4s; 2Sm 16,23. Deveriam tais passagens ou tais livros ser eliminados do cânon por causa do crime que narram?

4) ensino de artes mágicas em Tb 6,8s. – A respeito observamos em Tb 8,3 que não é Tobias quem expulsa o demônio, mas é o anjo Rafael. Havia interesse em ocultar a Tobias ação do anjo. Mais: em Jo 9,6, Jesus cura o cego usando saliva. Em Tg 5,14 há a instrução referente ao uso do óleo para aliviar os enfermos. Seriam práticas mágicas? Não. São primícias dos sacramentos.

5) Prática da mentira em Jt 11,13-17 e Tb 5,15; 19. – Ora, no Antigo Testamento lê-se que Abraão mandou sua esposa Sara mentir, dizendo ela que era irmã dele; cf. Gn 20,21. Mais: Jacó, auxiliado por sua mãe, mente ao pai cego dizendo-lhe que era Esaú, o filho mais velho; cf. Gn 27,19. Jacó também enganou o sogro; conforme Gn 31,20. Será que por causa de tais casos, o livro do Gênesis deveria ser retirado do cânon?

Quanto a Judite, ela agiu durante uma guerra e disse inverdade ao chefe do acampamento oposto, das quais este devia desconfiar, tendo-a como provável espiã; Holofernes, porém, deixou-se fascinar pelos artifícios utilizados pela mulher estrangeira. A culpa foi dele, que acabou degolado.

6) Erros históricos cronológicos. O gênero literário dito “midrache” era muito usual entre os judeus; comporta certas imprecisões historiográficas a fim de mais realçar o significado teológico do evento relatado. Ocorre também nos livros protocanônicos; tenha-se em vista, por exemplo, Mt 1,1-17, texto em que o Evangelista apresenta Jesus como filho de Abraão e de Davi mediante 42 gerações, que vão de Abraão a Jesus. Essas quarenta e duas gerações são dividas em três segmentos de quatorze nomes cada um. Com este artifício o evangelista queria dizer que Jesus é Davi por excelência ou três vezes Davi; com efeito 14 é a soma das três consoantes que compõem o nome Davi; tais consoantes tinham valor numérico: D=4 e V=6; donde 4+6+4 = 14. Era mais interessante ao autor sagrado manifestar o papel messiânico de Jesus mediante tal artifício do que contar exatamente quantas gerações se interpunham entre Abraão e Jesus. – Ora o uso do midrache não tirou ao Evangelho de Mateus a sua canonicidade, como não a tira aos deuterocanônicos.

5. Deuterocanônicos e o Novo Testamento

Alessandro Lima aponta ainda algumas passagens do Novo Testamento que aludem a textos deuterocanônicos. Assim:

Hb 11,35 menciona “mulheres que reencontraram seus mortos pela ressurreição”. Quem seriam essas mulheres?

- Poderíamos responder citando a viúva de Sarepta, cujo filho ressuscitou por intermédio do profeta Elias (1Rs 17,17-23) e a sunanita, cujo filho foi ressuscitado por intercessão de Eliseu (2Rs 4,8-37). Trata-se, porém, de dois casos isentos de tortura e perseguição, ao passo que Hb 11,35 se refere a um clima de violência contra os irmãos macabeus que foram torturados e martirizados por não quererem renegar a sua fé, certos de que Deus lhes daria a graça da ressurreição. É, pois, aos macabeus em 2Mc 7,1-40 que Hb se refere.

Ainda é de notar que a carta aos hebreus foi escrita aos judeus da Palestina – o que demonstra que a versão da LXX também era familiar aos habitantes da Terra Santa.

Ap 8,2-5 alude a “sete anjos que assistem diante de Deus... A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos diante de Deus” – O pano de fundo desta visão está em Tb 12,12-15. Com efeito diz o arcanjo Rafael a Tobias: “Quando enterrava os mortos, eu apresentava tuas orações ao Senhor. Eu sou Rafael, um dos sete que assistem na presença do Senhor” (Tb 12,12s).

Em Lc 23,35.37.39 e em Mc 15,15-19 os escárnios e zombarias proferidos contra Jesus têm seu pano de fundo literário em Sb 2,13-21.

Além do mais, faz-se necessário notar que nos livros protocanônicos do Antigo Testamento mesmo há o registro de fatos escabrosos, que não invalidam a canonicidade destes livros; apresentam a miséria humana a fim de mais salientar a misericórdia divina. Eis alguns tópicos:

Em Gn 19,30-36 as filhas de Lot embriagam seu pai para ter relações sexuais com ele.

Em Gn 16,15 Abraão tem um filho com sua serva Agar.

Em 1Sm 28 Saul consulta uma pitonisa ou uma necromante.

Em 2Sm 11,1-21 Davi planeja a morte de seu general Urias para poder ficar com a mulher dele.

Estas considerações permitem repetir que nenhum critério usual entre os homens se aplica à escolha dos livros sagrados. Esta é obra do Espírito Santo.

O protestantismo, que professa seguir somente a Tradição escrita (a Bíblia), começa sua história recorrendo à Tradição oral; depois disto cai em contradição rejeitando a Tradição oral como ela vive e fala na Igreja assistida pelo Espírito Santo.
Autor: D. Estêvão Bettencourt
Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/solascriptura/814-um-livro-que-conta-como-a-biblia-foi-formada-pela-igreja-catolica

São Cura D'Ars - Conheça sua história de fé em Cristo

04 Ago. 10 / 12:02 pm (ACI).- O Secretário da Congregação para o Clero no Vaticano, Arcebispo Mauro Piacenza, escreve um artigo sobre São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, quem a Igreja recorda hoje. Sobre este sacerdote o Prelado destaca seu incansável serviço a Deus e aos outros, considerando-o um verdadeiro "revolucionário do amor".

Dom Piacenza começa seu artigo recordando que o Papa Bento XVI permitiu que muitos mais sacerdotes e fiéis conhecessem o Cura D’Ars ao ter decretado o Ano Sacerdotal por ocasião do 150° aniversário de sua morte.

Na época de São João Maria Vianney, explica o Arcebispo no texto publicado no L'Osservatore Romano, deu-se um lugar fundamental à razão do homem e expulsaram a referência à religiosidade e ao divino. Destacava-se um ambiente racionalista que era muito hostil à Igreja. Em meio de tudo, assinala, "o Cura D’Ars deu provas de heroísmo na fé. Ante a tentativa de deslegitimizar o dogma católico, ele respondeu com uma clara, incessante e esforçada obra catequética e de predicação seja pública ou às consciências particulares".

"À profanação e a imposição de esquemas e ‘neo-ritos’ humanos, ele respondeu com um maior sentido do sagrado que, sobre tudo na liturgia e no culto se revelava capaz de expressar o profundo e precioso que há na fé católica: a presença de Cristo mesmo Ressuscitado!"

São João Maria Vianney, prossegue, "se fazia ele mesmo oração, reunindo em sua relação com Deus, a todos os que estavam perto dele, sem importar as motivações mais diversas".

O poder, então como na época atual, contínua o Arcebispo, "procurava eliminar a fé do povo através da dissolução da moral. O Cura D’Ars nunca teve dúvidas a respeito: foi mestre e pai de milhares de penitentes na administração da Divina Misericórdia, foi sempre extremamente fiel e moral" chegando a confessar até 18 horas por dia mostrando sempre "uma disponibilidade sem medida, que só falava do amor de Deus".

O Cura D’Ars vivia "uma pobreza luminosa e tangível (...). Totalmente entregue a Deus e aos irmãos, o santo Cura viveu de modo exemplar a virtude da castidade, interpretada não só como uma necessária conseqüência do celibato, nem como uma mera lei eclesiástica, mas sim como um verdadeiro ato de doação total a seu Senhor, de paixão pela glória de Cristo sustentada e documentada fundamentalmente pela celebração eucarística conectada a ela; em definitiva viveu verdadeiramente a virgindade evangélica pelo Reino dos céus".

São João Maria Vianney, escreve o Secretário da Congregação para o Clero, "foi o sacerdote que todos queremos ser e ter na paróquia em toda época e circunstância. Ele mostrou à França de seu tempo e mostra ao mundo de hoje, o que significa ir contra corrente: ser verdadeiramente ‘revolucionário do amor’, em um renovado espírito de doação total, de oferecimento renovado da própria vida a Deus pela salvação dos homens".

Esta entrega do Cura D’Ars, prossegue, o fez "chegar até a grandeza de ‘oferecer-se como vítima’ em substituição vigária, participando do oferecimento de Cristo, pela salvação das almas, naquela permanente obediência à legítima autoridade, em comunhão com o Bispo de Roma", vivendo assim a liberdade autêntica.

Finalmente o Arcebispo afirma que "todos nós os sacerdotes renovamos nossa gratidão a este nosso irmão, grandioso santo e lhe pedimos que, também hoje, seu exemplo e suas virtudes sejam vividas por muitos, por todos, para que não falte nunca na Igreja nem no mundo o esplendor da santidade".

Autor: ACI - Digital
Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=19688

Eutanásia

Na Argentina, jovem desperta de coma depois de 15 meses

BOGOTÁ, 04 Ago. 10 / 05:34 pm (ACI).- Em comunicação telefônica com a Rádio FM da Colômbia, Guillermo Yelting, o pai da jovem Sara Yelting, relatou a história de sua filha que após 15 meses em coma despertou e pôde reconhecer os seus seres queridos. Guillermo disse ademais que enquanto haja vida deve haver esperança e que enquanto sua filha luta ele não tem nenhum direito de baixar os braços, ao ser perguntado sobre se alguma vez pensou em deixá-la morrer.

Em comunicação com a emissora colombiana desde a Argentina, Guillermo explicou que tudo começou quando a jovem que agora tem 23 anos começou a sofrer distintos problemas neuronais que a sumiram em um coma de 4º grau: "ela foi internada no Sanatório Colegiales em 8 de fevereiro do 2009. Foi de mal a pior, aí ela já tinha perdido conhecimento e contato com a realidade. Tentaram todos os tratamentos e terapias que conheciam, mas ela foi piorando até que no dia 16 daquele mês entrou em terapia intensiva por um problema pulmonar".

Quando parecia que não restava nada a ser feito Sara despertou e começou a mover os olhos, as mãos, a escrever e até pôde comunicar-se, enchendo de alegria a toda a família e seu namorado que a acompanhavam.

"No dia 13 de abril cumpriam um ano de namoro, e ela simplesmente abriu os olhos. A surpresa foi para todos, ali estavam Martín seu namorada e sua mãe, seu corpo estava muito deteriorado pelos efeitos das enfermidades que sofreu durante todo esse tempo" e que fizeram inclusive que em algum momento a jovem Sara chegasse a pesar 35 quilogramas.

"Ela tinha contato visual, começou a abraçar, a beijar, a escrever, a ler. Sui corpo está deteriorado porque esteve um ano e meio em cama e à raiz da parada respiratória teve problemas cerebrais que estamos buscando reverter", disse o Sr. Yelting.

Guillermo afirmou logo aos pais ou familiares de pessoas em estado de coma ou situações semelhantes que é importante falar a eles de coisas positivas e não descer a guarda ante o sofrimento. "Sempre tenham uma palavra de doçura porque eles no inconsciente escutam", assinalou.

"Você é minha preferida, minha campeã, você vai sair desta ", dizia ele a Sara em meio de um ambiente no qual "a ciência bombardeia você e diz que não há nada mais a ser feito".

Ao falar sobre sua atitude ante o coma de sua filha, ele manifestou que "enquanto haja vida deve haver esperança, eu não me darei por vencido, eu não vou entregá-la" e sentenciou logo: "se minha filha está lutando eu não tenho nenhum direito a baixar os braços".

Autor: ACI - Digital
Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=19698

Ex-lésbica diz: "Eu ansiava equilíbrio emocional do relacionamento hetero!"

REINO UNIDO — A comediante britânica e ex-lésbica Jackie Clune publicou um relato de como, exausta pela disfunção emocional de seus relacionamentos lésbicos, ela descobriu em seu relacionamento subseqüente com seu marido uma liberdade de “[caminhar] lado a lado em vez de passar a vida trancada numa intimidade ou combate face a face”.

“Olhando para meus quatro filhos correndo em volta do jardim com seu pai, parece quase impossível crer que só alguns anos atrás eu jamais imaginava ter uma família”, escreveu Clune numa coluna publicada no jornal Daily Mail da Inglaterra de 26 de junho.

Clune, que é também conhecida como apresentadora e atriz, inclusive em casas de espetáculos, disse que sua iniciação no lesbianismo ocorreu de certa forma mais tarde na vida do que para muitas outras mulheres. Ela foi criada num lar “católico irlandês muito tradicional” e se apaixonou por um homem aos 17 anos. Foi na faculdade que ela achou por acaso um panfleto afirmando que a heterossexualidade é uma mera construção que deve ser alterada à vontade, o que a estimulou a se separar de seu namorado e viver o típico estilo de vida lésbico durante os próximos 12 anos, até que ela completou 34 anos.

“Eu estava excitada com a ligação íntima que um relacionamento com outra mulher poderia trazer”, disse ela.

Mas a experiência não foi o que ela de início imaginava que era. Numa entrevista com Penny Wark do jornal Times em outubro de 2005, Clune chamou a cultura lésbica de “ditatorial e intimidatória” e “o oposto do suave nirvana lésbico que eu esperava”.

Apesar da intimidade de seus relacionamentos, Clune confessou que o mundo hiper-emocional de uma ligação sexual de mulher para mulher era “exaustante”. “As mulheres com quem eu saía eram geralmente mais inclinadas a ser inseguras e precisar de confiança e eu me achava no papel masculino de ficar continuamente dando confiança para minhas namoradas”, escreveu ela. “As sutis mudanças de humor da vida do dia a dia seriam vistas de forma inesgotável”.

Clune descreve como uma amante tinha tanto ciúme e insegurança que “toda vez que gozávamos uma noite fora… brigávamos e tínhamos de partir”. “De volta a casa, passávamos então as próximas quatro horas discutindo sobre nosso relacionamento e meus sentimentos de lealdade, fidelidade e assim por diante”, escreveu ela. “Nunca terminava”.

“Será que você consegue imaginar acordar do lado de uma mulher quando você está com uma intensa TPM (tensão pré-menstrual)?”, acrescentou ela.

No fim, ela disse, o turbilhão emocional a forçou a reconsiderar seu mergulho no lesbianismo — algo que ela diz claramente que “escolheu”, e não que ela tenha nascido lésbica. “Diferente da maioria dos homens, as mulheres evidentemente oferecem umas às outras apoio interminável e praticamente nunca há falta de comunicação”, disse ela. “Mas — por mais que isso pareça bizarro — eu me achei ansiando exatamente pelo oposto”.

Depois de “uma decisão planejada de tentar os homens de novo”, Clune diz que encontrou em seu futuro marido Richard uma “bondade quieta” e “falta de necessidade” que a atraíram. “Senti que estávamos caminhando lado a lado em vez de passar a vida trancada numa intimidade ou combate face a face”, escreveu ela. “Era uma sensação natural e nada assustadora. Ele era otimista acerca do meu passado e jamais sofreu as inseguranças que eu vim a esperar”.

“Foi um sopro de ar fresco. Sempre fui ferozmente independente e sentia que eu podia ser eu mesma com ele”.

Embora não tenha abrigado nenhum ressentimento para com suas ex-companheiras e estilo de vida, Clune concluiu que ela havia “superado o lesbianismo”. “Quando somos jovens, nós todos precisamos pertencer a uma tribo e ter uma bandeira sob a qual marchar”, disse ela, acrescentando que “chamar a mim mesma de lésbica era quase como chamar a mim mesma de punk ou gótica”.

Ela diz que sua volta à heterossexualidade continua a atrair sarcasmo da comunidade lésbica: uma grande publicação lésbica votou nela como “Lésbica Mais Decepcionante do Ano”, e um grupo de Facebook agora extinto foi estabelecido intitulado “Gente como Jackie Clune Tem de Ser Levada para Fora e Levar um Tiro”. “Embora as críticas sejam ofensivas, compreendo de onde está vindo — estou deixando todos confusos”, ela diz.

Arthur Goldberg, conselheiro credenciado e especialista em auxiliar indivíduos com atração indesejada de mesmo sexo, disse para LifeSiteNews.com (LSN) que o testemunho de Clune é típico do estilo de vida lésbico. Goldberg, que co-fundou Judeus Oferecendo Novas Alternativas à Homossexualidade (JONAH), argumentou que se os defensores da agenda homossexual “admitissem quais são os verdadeiros aspectos de muitos relacionamentos [homossexuais]”, a noção de que são simples equivalentes dos relacionamentos heterossexuais não passaria um teste.

“Um dos critérios principais do lesbianismo é a dependência emocional”, disse Goldberg. “Nos relacionamentos de homens gays, é muito mais sobre sexo. Mais tipicamente com mulheres lésbicas… é monogamia, só que de vários relacionamentos consecutivos. Seu relacionamento dura de 2 a 3 anos [em que] você não consegue viver sem a outra pessoa, seu mundo inteiro é essa pessoa, e é por isso que há tanto ciúme no mundo lésbico, e é por isso que há tanta violência no mundo lésbico”.

Goldberg disse que era também comum mulheres, muitas vezes mais “sexualmente flexíveis” do que os homens, escolherem entrar no estilo de vida lésbico depois de alguma experiência de desilusão com os homens, antes de retornarem à heterossexualidade.

Autor: Kathleen Gilbert
Fonte: www.juliosevero.com