segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O ABORTO E A LIBERDADE

“O aborto é uma manifestação desesperada das dificuldades da mulher para realizar uma opção livre e consciente na procriação e uma forma traumática de controle da natalidade. Mesmo numa consideração não religiosa, o aborto é um signo de uma rendição, nunca uma afirmação de liberdade” Alessandro Nata, Sec. Geral do Partido Socialista Italiano in Rinascita, 1975

Para Isaiah Berlin (1909- 1993) os valores fundamentais do ser humano são diversos e nem todos compatíveis entre si. A possibilidade de conflito e tragédia nunca poderá ser eliminada por completo, nem na vida pessoal nem na social. A necessidade de se eleger entre os valores é, pois, uma característica humana da qual não se pode fugir. A liberdade é um desses valores e por isso precisa ser definida.

E recorremos ao mesmo Berlin o qual distingue dois tipos de liberdade: a negativa e a positiva. O sentido negativo do conceito de liberdade está contido na pergunta: “até que limites eu posso agir sem prejudicar os limites de outras pessoas”? O sentido positivo deriva do desejo por parte do ser humano de ser seu próprio dono, de que ninguém decida por ele e de não ser dirigido por outros homens como se fora uma coisa, um animal, um escravo. Para Berlin os dois conceitos são distintos e suas diferenças produzem conseqüências teóricas e práticas distintas e importantes. Dai a possibilidade deles poderem entrar em choque irreconciliável e quando isso acontece surge o problema da escolha. A liberdade, em todo o caso, não é o único valor. O grau que um ser humano dela desfruta deve ser equilibrado com outros valores - igualdade, justiça, direito à vida, felicidade, segurança, ordem pública - e por isso a liberdade não pode ser ilimitada. A do mais forte - econômica, intelectual ou fisicamente falando - tem de ser limitada. O Estado não pode oprimir os cidadãos; aos patrões não deve ser permitido explorar os empregados; os homens devem ser impedidos de subjugar as mulheres; os pais não podem dispor da vida de seus filhos, mesmo quando ainda não nascidos.

O eixo central sobre o qual gira todo discurso abortista é a libertação da mulher da escravidão reprodutiva. A liberação do aborto seria, em última instância, o preço a pagar para se conseguir a verdadeira emancipação feminina. Analisando o slogan: “O útero é meu e dele faço o que quero” na verdade exprime um conceito de propriedade privada capitalista. O critério básico de opção sobre a vida do filho é somente o interesse pessoal. Esse modo de opção caracteriza um individualismo radical. É como se o empresário dissesse : “a fábrica é minha e faço dela o que me aprouver”; o banqueiro afirmasse “o dinheiro é meu e o aplico onde quiser” ou o agricultor aclamasse “a terra é minha e nela faço o que bem entender”. “O útero é meu e com o embrião faço o que quiser” significa a mais completa vitória do consumismo sobre o valor da vida. Nesse sentido a relação mãe-filho não é mais dimensionada em termos do amor entre seres humanos mas em função da propriedade privada, egoísta, hedonista e predatória. A mulher passa a ser possuidora de um filho-objeto, como possui um automóvel, um vestido, uma conta bancária. E o filho ou feto-objeto também passará a ser a premissa da criança-objeto que de acordo com o contexto político-social e pessoal poderá, como um objeto qualquer, vir a ser eliminado. 

Tal tipo de raciocínio reflete não somente uma maneira de se entender as relações mãe-filho mas de modo mais amplo, todo um estilo de viver a sexualidade. Com a liberação total da prática do abortamento, o “consumo do sexo” ficará associado a todas as demais formas de consumo porque então tudo se reduzirá à busca egoísta do prazer. A banalização do aborto tem como premissa e conseqüência a banalização do ato sexual.

Um outro aspeto do qual as bravas feministas não se aperceberam é de que elas, em sua justa luta, assimilaram os paradigmas machistas. Pensando bem, um estilo de vida que despreza a maternidade, a feminilidade e reduz o sexo a um “flash” de prazer é um estilo despoticamente falocrático. Na verdade, o macho na sociedade de consumo ilimitado é o único que verdadeiramente se benificia com a liberação do aborto porque dessa maneira ele pode desobrigar-se de todas as responsabilidades em suas relações com a mulher. A ele cabe o prazer do orgasmo (nem sempre compartilhado pela parceira) e a gratificante confirmação de sua capacidade reprodutora. À mulher cabe o papel de receptáculo desse prazer e o dever dramático de eliminar a nova vida para que o varão se livre das conseqüências de sua recreativa e irresponsável atuação.

A batalha pelo aborto livre resulta assim numa luta não para a liberdade da mulher mas para a maior liberdade do homem. É ele que lhe concederá o direito de abortar para uma vez mais na história, relegá-la coercitiva e tragicamente às suas funções de mulher- objeto. No processo de abortamento - tanto no liberado como no clandestino - a mulher sai dilacerada, ofendida, ultrajada. Com seu útero vazio mas com seu coração cheio de dor e ressentimento.A estratégia da luta feminista - e o pretendido direito ao aborto está dentro dessa luta - talvez deva ser direcionada não para participação no poder androcrático mas para a modificação do conceito global do exercício do poder , tal como ele foi até agora historicamente estabelecido. E certamente a liberdade da prática do abortamento em nada contribuirá para essa modificação.

Autor: Dr. Franklin Cunha
Fonte: http://providafamilia.org/site/secoes_detalhes.php?sc=52&id=48

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A IGREJA CATÓLICA E O AVANÇO DA CIÊNCIA

A Igreja Católica, é vanguarda em ciências. Logo, cai por terra a lenda de que esta “é contra a ciência”, lenda esta, dos favoráveis ao uso de ‘Células Embrionárias’, método considerado obsoleto e criminoso, pela Igreja e por premiados cientistas sérios, que recomendam as já testadas e aprovadas ‘Células Tronco Adultas’, para os múltiplos processos de cura. http://www.acea.org.br/verartigo.php?id=209 

A Pontífice Academia de Ciências do Vaticano completou 400 anos em 2003. Galileu foi seu membro. Atualmente, conta com 61 acadêmicos, dos quais 29 são vencedores do Prêmio Nobel. Trata-se de uma relação de notáveis cientistas, premiados por suas pesquisas no campo da medicina, química, física, etc. Entre os quais figuram Marshaw Nerimberg, o descobridor do Código Genético de todos os seres, Francis Collins, o mapeador do DNA humano e diretor do Projeto Genoma e o Cosmólogo padre Michael Heller, ganhador do mais polpudo prêmio acadêmico já entregue pela ciência moderna. 

A invenção dos mais modernos e imprecindíveis meios de comunicação, deve-se a um membro da Igreja, o brasileiro Padre Landell, inventor pioneiro do rádio, do telefone sem fio, do telégrafo sem fio, da televisão e do teletipo usado pela imprensa. Nas patentes são agregados vários avanços técnicos como a transmissão por meio de ondas contínuas, através da luz, princípio da fibra óptica e por ondas curtas; e a válvula de três eletrodos, peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão e para o envio de mensagens.

Ainda em 1904 o Padre Landell inicia os testes precursores de transmissão da imagem. Em outras palavras, testava aquilo que viria a ser a televisão. Ele também testou a transmissão de textos, sendo precursor do teletipo, tão utilizado nos telejornais para envio de notícias pelas agências internacionais. Ambas as experiências eram feitas à distância, por ondas que, segundo um jornal paulista, eram denominadas de Ondas Landeleanas.

Os embriões, que o petista ministro Temporão e seus pseudos “cientistas” disseram que não se desenvolveriam depois de “três” anos congelados, implantados em úteros geraram belos bebês, mesmo depois de oito, dez e doze anos congelados.

Fatos estes, que só confirmam o alto conhecimento e clamor da sábia Igreja em favor da vida. Portanto, o falso argumento de que a Igreja é “contra o avanço científico”, é falso, assim como a lenda que espalham que Galileu teria “corrigido” a Igreja. A constatação matemática do Heliocentrismo que erroneamente atribuem à Galileu, pertence na verdade ao padre Copérnico, que a dedicou ao Papa Paulo III, e que já havia falecido dezenas de anos antes de Galileu nascer. 

O desprezo protestante à Copérnico e à ciência, ficou documentado nas palavras de Lutero, que dizia:
“O abade Copérnico surgiu, pretendendo que a terra girasse em torno do Sol”. Lutero deu de ombros. “Lê-se na Bíblia que Josué deteve o Sol; não foi a Terra que ele deteve. Copérnico é um tolo.” (Funck-Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi, 1956, 2a. ed. Pág. 145).

Galileu foi só um polemista que questionou as Escrituras. As Escrituras afirmam que “o sol se deteve … quase um dia inteiro (Josué 10,13), demonstrando um excepcional milagre divino, alheio ao que já se conhecia há muito do universo. Galileu contra argumentava que o sol sempre foi fixo, e só os planetas e astros se moviam. Hoje sabe-se que não é bem assim, até as galáxias viajam em movimentos circulares. Sua punição foi apenas uma curta reclusão domiciliar em 1633, por contradizer as Escrituras. Os pais da Teoria da Relatividade corrigiram Galileu, que julgava que havia astros “fixos” no universo. Max Planck e Albert Einstein declararam:

“Se tomarmos, por exemplo, um sistema de referências fixamente ligado com a nossa Terra, teremos de afirmar que o Sol se move no céu; se, inversamente, deslocarmos o sistema de referência para uma estrela fixa, o Sol encontra-se em repouso. Na oposição entre estas duas formulações não existe contradição nem obscuridade: trata-se somente de duas maneiras diferentes de considerar as coisas. Segundo a teoria física da relatividade, que atualmente pode ser considerada como aquisição científica assegurada ambos os sistemas de referência e os modos de consideração que lhes correspondem são igualmente corretos e igualmente justificados, e é fundamentalmente impossível, sem arbitrariedade, decidir entre eles através de quaisquer medições ou cálculos”. (Max Planck, in Vorträge und Erinnerungen, Stuttgart, 1949, p. 311).

Rodney Stark, professor de Sociologia e de Religiões Comparadas de Washington, em seu livro “For the Glory of God” mostra que a Igreja Católica, além de ter sido a primeira a se opor à escravatura, foi a força motriz por trás da emergência da ciência moderna. Segundo Stark, a crença na verdade de que a criação é um trabalho de Deus, gerou o progresso científico que não começou no século XVIII, mas com a escolástica medieval.

Poderia alencar muito mais, na Física, Música e Arquitetura. Mas, já é o bastante para calar qualquer ministro petista, que propale falsas “curas”, vendendo seu macabro elixir feito com o sangue das crianças.

Autor: Fernando Nascimento
Fonte: http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-e-o-avanco-cientifico/

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A CIÊNCIA É PACÍFICA, A VIDA COMEÇA NA FECUNDAÇÃO

"Os dados da ciência estão aí, o que deveriam fazer é atendê-los", exortou o Doutor em Ciências Biológicas, Membro do comitê de bioética da Espanha e Consultor do Pontifício Conselho para a Família no Vaticano, o espanhol Nicolás Jouve de la Barreda, ao afirmar que a vida começa na concepção e é fundamental que os legisladores se baseiem nesta verdade para estabelecer as leis.

O perito ressaltou que "a ciência foi o motor do bem-estar humano, a que impulsionou todas as comodidades que nos rodeiam, na saúde, no transporte –entre outros–e se para todo este bem-estar se teve em conta os avanços científicos e tecnológicos, porque não o ter em conta em algo tão importante e tão necessário como o é o respeito da vida humana".

Jouve em diálogo com o grupo ACI em 2 de maio, sublinhou que é "chave ter muito claro que a vida começa desde o momento da fecundação".

Desta maneira se dá a "importância que deve ter o aspecto moral e o aspecto ético onde devem estar os limites do que eu posso fazer com este conhecimento que tenho, para logo a sua vez desenvolver leis que sejam justas".

Desde que "a fusão dos complementos cromossómicos e genéticos dos dois gametas paterno e materno, desde esse instante se origina uma célula que é o zigoto e essa é a primeira realidade corporal humana. (...) Aí está já o ser humano novo que vive a partir desse instante, é a nova realidade que é diferente ao pai e à mãe, essa é a nova vida", assinalou o doutor.

O também catedrático de genética que desde 1977 ensina em diferentes universidades da Europa e América Latina enfatizou que a verdade científica reconhece que a "nova combinação genética que constitui a identidade de um novo ser, começa na concepção (…) e o que não há dúvida é que é uma vida, e é um ser humano porque tem genes humanos, tem uma combinação, uma identidade genética humana".

Ao falar da situação do aborto na Espanha, Jouve indicou que "desgraçadamente se promoveu durante os sete anos que durou o governo anterior até agora, uma espécie de feroz campanha deixando de lado tudo o que podia ser a defesa da vida para substitui-lo em minha opinião incondicionada a uma ideologia de gênero".

Esta ideologia "sem nenhum tipo de condicionamentos, não respeita a vida do ser nascente, mas concede tudo ao capricho, ou ao desejo da mãe de seguir adiante ou não com a sua gravidez (…) dar direitos à mãe esquecendo-se que também tem direito o nascituro, o ser que está crescendo em seu seio (...)", expressou Jouve.

Sobre o futuro da defesa da vida no país europeu, o doutor assinalou que "agora há um movimento que durante todo este tempo na Espanha está a favor disto (aborto) e há uma grande esperança e grande expectativa que o governo atual faça logo uma lei que volte atrás em toda esta dimensão que houve contra a vida e que tenha em conta também ao nascituro".

Jouve falou também da importância de se abrir "caminho a uma cultura da vida que sempre será melhor que esta cultura da morte ao desfazer-se simplesmente (do bebê) por algum desconforto por um momento determinado. Há esperança que se façam novas leis que permitam a adoção para que não haja perdas de vidas humanas".

Isto fará que não "tenham que optar pelo pior dos caminhos que é eliminar essa vida e tentar esquecer-se, coisa que muitas vezes não acontece porque fica uma sequela psicológica e há muitos estudos já realizados no âmbito da dimensão psiquiátrica e psicológica do que se chama a síndrome pós-aborto", enfatizou.

"A mãe que aborta não fica tranquila, fica com sequelas que permanecem por anos e às vezes toda uma vida porque realmente é traumático o desfazer-se nada menos que de um filho que leva em seu ventre".

Por outro lado, Jouve falou da fecundação in vitro e disse que "quando surgiu esta tecnologia no ano 85 tinha a finalidade de solucionar problemas de fertilidade", mas que o "problema veio depois "ao produzir-se embriões fora do ventre materno, que ficam expostos a sua manipulação e instrumentalização".

Portanto se geraram um leque de problemas éticos "desde a própria conservação e congelamento que é traumática, muitos destes embriões não sobrevivem ao congelamento ou o que pode ser a prática da redução embrionária, (…) implantam-se vários, mas ao final recomenda-se à mãe que se desfaça de todos menos de um para que a gravidez não seja uma gravidez de risco, uma gravidez múltipla".

Convertendo-o em "um processo realmente abortivo". Da mesma maneira estamos vendo consequências "negativas para a saúde destes embriões que nascem em fecundação in vitro onde há uma percentagem mais elevada que a população da fecundação natural de alguns tipos de doenças incluindo câncer infantil e uma série de riscos que vão contra a vida" assinalou Jouve.

"A ciência é simplesmente descobrir coisas e dizer a verdade dos fenômenos naturais –portanto dessa verdade – temos a opção por nossa própria liberdade de utilizar estes conhecimentos por uma vertente positiva ou negativa", expressou o doutor.

Autor: Nicolás Joue de La Barreda
Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=25368

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O EDITO DE MILÃO - Ontem e Hoje

Este ano é aniversário do famoso Edito de Milão com o qual o Imperador Constantino (306-337) reconhecia a liberdade de culto à religião cristã. Era o mês de fevereiro do 313. Passaram-se exatamente 1.700 anos.

O Card. Angelo Scola, no dia 6 de dezembro de 2012 abriu solenemente as celebrações dessa comemoração na catedral de Milão.

Mas, o que este documento tem de importante e qual é a sua atualidade na sociedade de hoje?

Precisamos começar um pouco distante no tempo.

Jesus provavelmente morreu na Palestina no ano 30 que a partir do 64 a.C. estava sob o protetorado do Império Romano. Naquele ano o Governador (representante do Imperador) era Pôncio Pilatos (26-36), que assinou a sentença de morte de Jesus.

Era costume romano que os Governadores enviassem a Roma um relatório oficial sobre os acontecimentos da região confiada aos seus cuidados. Desta tradição nos informa o primeiro historiador do cristianismo, Eusébio de Cesaréia (260-340), na sua História Eclesiástica: “Pilatos, segundo um antigo costume de que o governador das províncias transmitisse as novidades ocorridas nelas ao detentor do poder real, a fim de que este ficasse bem informado de tudo, comunicou ao imperador Tibério...” (II, 2, 1).

Naqueles anos, o Imperador era Tibério (14-37). Pilatos enviou a Tibério um informe mostrando-se favorável aos Cristãos e falava também de Jesus, mas desta vez o elogiava e apresentava a Tibério a proposta de reconhecer a sua divindade.

Esta carta é do ano 35.

Justino (100-165) nos confirma em dois passos da sua I Apologia, depois de ter resumido a vida de Jesus: “Que tudo isso aconteceu assim, podeis comprová-los pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos” (I, 35, 9). Outro passo: “Que tudo isso foi feito por Cristo, vós o podeis comprovar pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos” (I, 48, 3).

Também Tertuliano (cerca de 155 - cerca de 245) nos transmite esta notícia no Apologético (197 d. C.): “Pilatos, já cristão no seu coração, relatou a César, que então era Tibério, todos os fatos relativos ao Cristo” (21, 24).

Então o reconhecimento da divindade do fundador de uma religião, condição indispensável para que o exercício deta religião fosse admitido no império, era responsabilidade do Senado de Roma. Tertuliano nos dá a notícia: “Existia um antigo decreto de acordo com o qual o comandante supremo não tinha nenhum direito de deificar uma pessoa sem a aprovação do Senado” (Apocalipse, 5, 1).

Tibério enviou o relatório de Pilatos ao Senado mostrando o seu desejo de que Cristo fosse reconhecido como Deus. Aqui veio o conflito de competências. O Senado não gostou desta "pressão" do Imperador, e para defender a sua autonomia, recusou reconhecer em Cristo as prerrogativas da divindade. Portanto respondeu negativamente a Tibério.

Este documento é do ano 35 d.C. e é conhecido na história como "Senatus Consultum".

Desde então, a religião cristã foi considerada no império como “religio non licita”.

É ainda Tertuliano que nos informa sobre isso: “ Tibério, quando informado da Síria-Palestina que lá embaixo se tinha revelado a divindade de Cristo, submeteu a questão ao Senado com voto favorável. O Senado, não tendo aprovado tais fatos, os rejeitou” (Ap, 5, 2).

Eusébio nos apresenta assim os fatos: “Conta-se ter Tibério relatado a questão ao Senado, o qual, contudo, rejeitou a proposta… Uma antiga lei estabelecera que, entre os romanos, ninguém fosse divinizado, senão através de votos e decreto do Senado... O Senado romano rejeitou desta forma o projeto que lhe fora apresentado acerca de nosso Salvador” (H. E., II, 2, 2-3). (Para ver este documento. Marta Sordi, Império Romano e do cristianismo, Escritos Selecionados, Institutum Patristicum Agostinianum, Roma, 2006, p. 33-69).

Pelo qual do 35 d. C. os cristãos não podiam professar oficialmente a sua religião em quanto não reconhecida pelo Senado. Esta situação durou até o 313.

Não necessariamente os cristãos deveriam ser perseguidos. Isso dependia da mentalidade dos Imperadores e da conveniência política.

Nos primeiros três séculos acontecem várias perseguições.

O escritor Lactâncio (260-340, aproximadamente) em sua obra: A morte dos perseguidores (escrito logo após o 313) apresenta as perseguições mais ferozes e em territórios geográficos mais amplos, sob os seguintes imperadores: Nero (54-68), Domiciano ( 81-96), Décio (249-251), Valeriano (253-260), Aureliano (270-275), Diocleciano (284-305), Galério (305-311).

Mas houveram outras em territórios mais delimitados durante os Imperadores: Trajano (98-117), Adriano (117-138), Antonino Pio (138-161), Marco Aurélio (161-180) Septímio Severo (193-211), Gallo (251-253).


Após a vitória sobre Maxêncio no Ponte Mílvio (Roma), em 312, Constantino mudou o estatuto jurídico dos cristãos, com o famoso Édito (fevereiro de 313).

Na verdade, este documento não foi assinado no Fevereiro de 313 em Milão. Após a vitória, Constantino e Licínio (308-323) fizeram acordos em Milão no mês de fevereiro, mas a assinatura e a publicação desses acordos acorteceram no dia 13 de junho de 313 na cidade de Nicomédia. Desta forma se abolia o documento do Senado do ano 35.

O texto nos é trazido por Lactâncio (A morte dos perseguidores, cap. 48) e por Eusébio (História, X, 5, 2-14).

Isto significou que o cristianismo não era mais passível de perseguição mas entrava com todos os direitos no Império Romano.

Devido à sua importância transcrevo de Eusébio a parte mais importante:

“Não se deve recusar a libertade da religião, mas é preciso deixar à razão e à vontade de cada um a faculdade de se ocupar das coisas divinas, conforme preferir... Resolvemos, em primeiro lugar e antes de tudo, dar ordens para assegurar o respeito e a honra à divindade, isto é, decidimos conceder aos cristãos e a todos a livre escolha de seguir a religião que quisessem... Declaramos nossa vontade de que a ninguém absolutamente se recuse a libertade de seguir e preferir a observância ou a religião dos cristãos e de que seja concedida a cada qual a liberdade de dar consciente adesão à religião que julgar melhor...Assim, após a supressão completa das cláusulas contidas a respeito dos cristãos, ficasse abolido o que se mostrasse inteiramente injusto e contrario à nossa brandura, e que agora, livre e simplezmente, cada un daqueles que tomaram a livre decisão de praticar a religião dos cristãos, possa observá-la sem nenhum impedimento”.

Dá para imaginar a alegria dos cristãos por este Édito. Eusébio de Cesaréia escreveu uma Vida de Constantino elogiando muito mesmo esse Imperador. Além disso na Igreja do Oriente, Constantino é considerado um santo.

Certamente mais do que por razões religiosas, Constantino agiu por razões políticas. É suficiente pensar que Constantino só decidiu ser batizado quando estava para morrer.

Mas isso não diminui o grande mérito e intuição que ele teve ao reconhecer que já a realidade no Império tinha mudado, que já o cristianismo e a Igreja tinham uma função social e jurídica, pelo qual já era anacronístico continuar com a proibição do Senado. Constantino viu no Deus dos cristãos não um perigo para o Império, mas uma ajuda. Já a religião imperial mostrava-se insuficiente diante das novas problemáticas. Na religião cristã Constantino viu uma ajuda para garantir a estabilidade do Império e para salvar a civilização romana.

Infelizmente, esse equilíbrio foi quebrado pelo seguinte Édito de Tessalônica do 27 de Fevereiro de 380, no qual a religião cristã foi reconhecida como a única e verdadeira religião a ser professar no Império: "Nós queremos que todos os povos permaneçam fieis àquela religião transmitida pelo divino apóstolo Pedro aos Romanos... Ordenamos que o nome dos Cristãos católicos abrace aqueles que seguem esta lei, enquanto os outros loucos e insanos... devem ser castigados” (Para este documento, e toda a legislação: o cristianismo nas leis da Roma Imperial, a c. Alberto Barzanň, ed. Pauline, Milão 1996; texto citado está em p. 228.).

Este Edito tem um signifaco epocal porque marca o começo da liberdade do homem moderno. O Estado reconhece a liberdade dos seus cidadãos de professar aquela religião que em consciência acreditam que seja a melhor.

Com Constantino o Estado se torna laico, no sentido mais verdadeiro do termo. Laico não significa indiferente ante a religião, ou pior, relegar a religião ao interior da consciência, mas reconhecer a dimensão espiritual do homem, que tem também implicações sociais, permitir a liberdade de culto sem interferências e limites.

Neste sentido o Estado laico é um Estado crente no duplo sentido.

Crente em Deus a quem deve prestar o culto devido segundo a virtude da justiça, que neste caso se transforma em virtude da religião.

Crente no homem porque o Estado reconhece não somente a sua dimensão biológica e cívica, mas também aquela espiritual. Dessa forma evita-se um antropologismo redutivo e vem reconhecido um antropologismo transcendente.

Bento XVI mais de uma vez falou de “laicidade positiva”

“A ‘laicidade sadia’ exige que o Estado não considere a religião como um simples sentimento individual, que poderia ser confinado exclusivamente no âmbito particular. Pelo contrário a religião... deve ser reconhecida como presença comunitária pública... Não é um sinal de laicidade sadia a rejeição, à comunidade cristã e àqueles que legitimamente a representam, do direito de se pronunciar a respeito dos problemas morais que hoje interpelam a consciência de todos os seres humanos, de maneira particular dos legisladores. Não se trata de uma ingerência indevida por parte da Igreja na atividade legislativa, própria e exclusiva do Estado, mas sim da afirmação e da defesa dos grandes valores que dão sentido à vida da pessoa e salvaguardam a sua dignidade. Antes de ser cristãos, estes valores são humanos... Nesta nossa época há quem procure excluir Deus de todos os âmbitos da vida, apresentando-O como antagonista do homem... É nossa tarefa fazer compreender que a lei moral que Ele nos deu tem a finalidade não de nos oprimir, mas de nos libertar do mal e de nos fazer felizes. Trata-se de mostrar que sem Deus o homem está perdido, e que a exclusão da religião da vida social debilita os próprios fundamentos da convivência humana” (Bento XVI, discurso à União dos Juristas Católicos Italianos, 9 de dezembro de 2006.).

E ainda: “Sem dúvida, esta ‘sã’ laicidade do Estado comporta que cada realidade temporal seja regida segundo normas próprias, que todavia não devem descuidar as instâncias éticas fundamentais, cujo fundamento se encontra na própria natureza do homem e que, precisamente por este motivo, remetem em última análise para o Criador” (ao Embaixador, Discurso da República de São Marino, 13 de novembro de 2008).

Esta "sã laicidade do Estado" não é um resultado do Concílio mas faz parte do Magistério constante da Igreja. Já Pio XII no discurso do 23 de março de 1958, se expressava: “A legítima sã laicidade do Estado é um dos princípios da doutrina católica”. Assim, um Estado laico é aquele que não impede a busca do sentido da própria vida de cada pessoa e que garante que os direitos humanos fundamentais sejam respeitados e protegidos.

A autêntica laicidade não coíbe, mas postula uma sã colaboração entre o Estado e a Igreja, dado que ambos, embora diversamente, estão ao serviço da vocação pessoal e social das mesmas pessoas humanas.

Estas reflexões do Papa Bento XVI também são compartilhadas por outras pessoas capazes de refletir. Um destes é o escritor Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Ele meditou no slogam: "Como se Deus não existisse". E concluiu que esta expressão é a desgraça da sociedade moderna e não só está cheia de agnosticismo, mas também privada de toda moralidade. Pungentemente escreveu: "Se Deus não existe, qual crime pode existir?" (Os Irmãos Karamazov, Livro VI, cap. 3) "Uma vez que a humanidade tenha negado a Deus... o homem se exaltará com um espírito divino, de orgulho titânico, e aparecerá como homem-Deus... Se Deus não existe, tudo é permitido"( Idem, Livro XI, cap. 9.).

O Estado vai por água abaixo. Tornando-se tudo lícito não existe mais o delito. Toda ação, também a mais negativa, obtém livre cidadania. Diante disso o Estado é impotente; tirando Deus e não reconhecendo a liberdade religiosa, está fadado à morte.

A outra grande personalidade é Victor E. Frankl (1905-1997), fundador da Terceira Escola de psicoterapia de Viena, a Logoterapia. Ele fundou a sua teoria sobre a busca do ‘sentido da vida’. Individualizou a realização da pessoa quando esta encontrou o sentido da sua vida; diz que quando a vida não tem mais significado, vem o desespero, a degradação e o ser humano é capaz de qualquer coisa quando se forma o ‘nada’; sucessivamente ao sentido da vida vem o ‘tédio’ do viver. Vê no niilismo o grande inimigo: “Confundir a dignidade do ser humano com mera utilidade surge de uma confusão conceptual que pode ser attribuída em suas origens ao niilismo contemporâneo... O niilismo não afirma que não existe nada, mas afirma que tudo é desprovisto do sentido” (Victor E. Frankl, Em Busca de SENTIDO, Ed. Vozes, Petrópolis, 2008, p. 173.).

Daqui se deduz que a visão da vida apresentada pela Igreja não tem diretamente fundamento cristão, mas é uma exigência enraizada na natureza mesma do homem, compartilhada por pessoas de outras religiões.

Autor: Vitaliano Mattioli
Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/o-edito-de-milao-ontem-e-hoje-parte-iii

segunda-feira, 8 de julho de 2013

SÃO JORGE - VERDADES E MITOS SOBRE O SANTO

A Verdade: São Jorge (275 – 23/04/303), nasceu na antiga Capadócia,
atualmente pertencente à Turquia. Após a morte de seu pai, mudou-se
com sua mãe para a palestina.

Foi promovido a capitão do exército romano por sua dedicação
e habilidade. Com 23 anos passou a frequentar a corte imperial em
Roma. Nesta época o imperador Diocleciano decretou a morte dos
cristãos e numa reunião do senado para confirmar o decreto, São Jorge levantou-se contra ele e, defendendo as verdades da fé, afirmou
que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Indagado sobre esta atitude ousada, São Jorge respondeu que era
por causa da Verdade, e perguntado por um senador o que era verdade respondeu-lhe que a Verdade é Nosso Senhor Jesus Cristo, e que Ele estava ali para dar testemunho disso.

Como São Jorge mantinha-se fiel e não aceitava os deuses pagãos,
o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o. Após várias
torturas, não renegando a Deus Nosso Senhor, foi degolado em 23 de
abril de 303. Sua sepultura encontra-se na Lídia, na Palestina.

Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a
São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte,
construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir,espalhando-se rapidamente pelo ocidente. São Jorge é padroeiro da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, e da cidade de Moscou. É padroeiro dos escoteiros, do Corinthians Paulista e da Cavalaria do Exército Brasileiro.


Glorioso São Jorge, rogai por nós!

Mitos

1. A forma popular pelo qual é representado São Jorge, isto é, matando um dragão, não encontra fundamento real em sua vida. Os gregos começaram a representá-lo assim, de maneira alegórica. O dragão simboliza a idolatria que ele enfrentou com as armas da Fé, e a donzela que o Santo defende representa a província da qual ele extirpou as heresias;

2. A ligação de São Jorge com a lua é algo puramente brasileiro,
com forte influência da cultura africana;

3. A lenda de que São Jorge teria deixado de ser reconhecido pela Igreja não procede. São Jorge é um santo venerado pela Igreja desde o século IV como Grande Mártir. O fato de a Igreja Católica, em alguns anos, guardar sem festejos a celebração do seu dia celebrado no dia 23 de abril, é devido e só quando este coincide com a celebração do Sábado de Aleluia, onde a Vigília Pascal de Cristo
tem grandiosidade maior e o glorioso São Jorge diminui para que Cristo brilhe, como o próprio assim fez quando foi martirizado. A desinformação sobre este fato é que tem feito alguns pensarem que a igreja o deixou de reconhecer, mas isso não procede. 

Autor: Fernando Nascimento
Fonte: http://cacamentiras.blogspot.com.br/2012/11/sao-jorge-verdades-e-mitos-sobre-o-santo.html

quinta-feira, 20 de junho de 2013

ABORTO - UM PRINCÍPIO NAZISTA: VEJA O QUE OCORREU DEPOIS DA LEGALIZAÇÃO NOS EUA!

Sabemos e está comprovado que a vida começa na concepção, mas o fato da Federação Brasileira das Academias de Medicina, assim como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos terem se pronunciado oficialmente sobre esta evidência, não acalmou o ímpeto dos abortistas em querer legalizar o aborto no Brasil a todo custo.

Um dos fraquíssimos argumentos pró-morte, ou pró-aborto, tanto faz, é que o aborto seria um mal necessário, um mal menor e que eles não teriam a menor intenção de que o aborto se tornasse um método contraceptivo.

Que os abortistas usam de mentiras, falsos dados, para defender seus interesses isso agente já sabia, porém, querer que acreditemos que não estão interessados no lucro do aborto, isso é novidade. Seria muita inocência da nossa parte pensar que não estão atrás disso.

Todos nós sabemos que existe uma indústria milionário por trás da legalização do aborto, quem nos revela isso é o Dr Bernad Nathanson, um dos responsáveis pela legalização do aborto no EUA ; ele foi o diretor da maior clínica de abortos do mundo, fez milhares de abortos.

Após a chegada do ultra-som e da embriologia, Dr Bernad verificou que o feto era realmente uma vida humana e por isso começou uma das maiores campanhas contra o aborto do mundo.

Dr Bernad Nathanson relata os números: “US$ 300 dólares cada aborto. 1,55 milhões de abortos significam uma indústria de US$ 500.000.000 dólares anuais, dos quais a maior parte vai para o bolso do médico que faz o aborto…”

A verdade é que eles bem sabem que o aborto legalizado vira método contraceptivo e gera lucro à preço de sangue; ou será que ignoram os dados.

Os números que vou citar agora referem-se aos Estados Unidos da América , país onde o aborto hoje é legalizado.(Brian Clowes,Abortion Statistics: Effective Eye-Opener, e cf.)

7.000 abortos em 1965,

9.500 abortos em 1966,

13.800 abortos em 1967,

18.000 em 1968,

73.000 em 1969),

Saltou para 193.500 abortos em 1970,

para 1.034.000 abortos em 1975,

1.553.900 abortos em 1980, e estabilizou nesse número aterrador.

Antes da legalização, nos EUA, havia 1 aborto para cada 45 nascimentos; atualmente há 1 aborto para cada 3 nascimentos.

As razões, segundo a pesquisa, que levam as mulheres a abortar nos EUA são as seguintes:

76% porque um bebê implica uma grande mudança de vida,

68% porque não têm dinheiro para o bebê,

51% têm problemas com o pai da criança,

31% querem evitar serem mães solteiras,

26% não querem ter mais filhos,

23% porque o pai da criança quer o aborto,

13% porque o bebê pode ter problemas de saúde,

7% por causa da sua própria saúde,

7% porque os pais da mulher querem o aborto,

1% por serem vítimas de violação ou incesto.

No período entre 1965 e 1992, houve 30 milhões de abortos nos EUA.

O aborto é agora a primeira causa de morte dos americanos, três vezes maior do que as doenças cardiovasculares.

E ainda querem nos convencer que o aborto não vai virar método contraceptivo no Brasil, assim como virou nos EUA?

Querem nos convencer de que não existe interesse financeiro e ideológico na questão?

O Nazismo implantou o aborto e a eutanásia no ano de 1935, quando começou a eliminar as crianças que não eram da raça ariana ou possuíam algum “defeito genético” como deficiência física ou mental.

Pouco mais tarde o projeto “evoluiu” e começou a alcançar também as crianças já nascidas até se transformar em um programa de eutanásia em larga escala

Milhares de crianças alemãs, mesmo consideradas racialmente “arianas”, foram enquadradas dentro do programa de eutanásia, muitas por razões sociais em vez de defeitos físicos

A morte das crianças era realizada principalmente pela fome ou por uma alta dose de drogas.

Nos primeiros anos de vigência do programa somente crianças portadoras de sérios defeitos congênitos foram mortas, mas à medida em que o tempo foi passando a idade das crianças submetidas à eutanásia foi aumentando e as indicações para as quais esta era recomendada foram se ampliando. Foram mortas crianças por apresentar orelhas deformadas, por urinar na cama e outras enquadradas como “difíceis de educar”.

A sociedade que elimina uma vida humana, pelo simples fato daquela vida não ser útil ou conveniente, está vivendo na prática os princípios Nazistas de Hitler.

Autor: Tiba Camargo
Fonte: http://blog.cancaonova.com/tiba/tag/razoes-para-o-aborto/

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O CASAMENTO É UMA CAUSA PERDIDA?

A aprovação do "casamento" gay é o último passo da agenda anti-família e da eliminação dos direitos das crianças


A promulgação da lei que permite o casamento gay e a adoção por pares homossexuais, no último mês de abril, na França, não encerrou o debate sobre a questão. Apesar da intransigência do governo socialista de François Hollande, a população voltou a encher as ruas de Paris neste domingo, 26/05, para dizer um rotundo não à equiparação do matrimônio às uniões de pessoas do mesmo sexo.

Segundo os organizadores da "Manif pour tous" (Manifestação para todos), mais de um milhão de pessoas participaram do ato. O movimento contou com a presença não só de católicos, mas também de grupos de outras religiões e até mesmo de homossexuais. 

Um protesto semelhante ocorreu na Polônia também neste domingo e agregou milhares na terra do Beato João Paulo II.

A manifestação é uma resposta à falácia esquerdista de que a consolidação do "casamento" gay é um fato inevitável e irreversível. O professor de jurisprudência da Universidade Princeton, Robert P. George, considera um grave erro dos conservadores a aceitação da hipótese - obviamente incentivada pelos liberais - de que a defesa da família é uma "causa perdida". 

O professor recorda que o mesmo foi dito a respeito do direito ao aborto nos Estados Unidos, durante a década de 70, e hoje é mais comum encontrar pessoas pró-vida do que pró-escolha (como se definem os defensores do aborto). 

Ele alerta que a aceitação da união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo não é uma simples questão de "justiça social", como afirmam seus defensores, mas uma mudança substancial no conceito de família e paternidade, que trará consequências perigosas para a educação das crianças e para a liberdade religiosa.

Ora, se se concebe o casamento não como uma união em uma só carne, argumenta George, mas como uma "parceria doméstica romântico-sexual", todo o arcabouço familiar desmorona, pois já não fazem sentido a monogamia, a fidelidade conjugal e os direitos paternais biológicos.

O casamento passa a existir apenas como um contrato social com prazo de validade no qual ambas as partes prestam serviços sexuais. Isso é a completa perversão do conceito de família, além de uma afronta direta ao direito matrimonial histórico, que jamais cogitou tamanho disparate.

A denúncia de Robert P. George se torna ainda mais grave quando se observam os precedentes abertos por essa compreensão errônea do ser humano e, por conseguinte, do casamento. Ele se questiona: "se dois homens ou duas mulheres podem se casar, por que não poderiam se casar também três ou mais pessoas, indistintamente de sexo, em poliamorosas "tríades", "quadríades", etc?"

Milhares de franceses deram a mensagem: "Casamento é entre um homem e uma mulher" Para além das ressalvas, na prática, esse entendimento tortuoso do casamento já consolidou em muitos tribunais o retorno à poligamia. Um retrocesso que demonstra de forma contundente o caráter retrógrado e paradoxal do dito "progressismo". 

Ao considerar o ser humano como apenas razão e vontade, relegando o corpo a uma função meramente instrumental, o Estado redefine o matrimônio, transformando-o num simples arranjo de emoções e desejos eróticos. Sendo assim, se já não existe uma razão que sustente a distinção de sexo e a monogamia do matrimônio, aqueles que insistem na sua defesa, agem imbuídos por mero "preconceito".

E é aí que mora o perigo, pois por que o Estado deveria tolerar as instituições religiosas promotoras da "homofobia"? É com base nessas questões que o professor Robert P. George alerta para a ameaça à liberdade religiosa erigida a partir da aprovação do "casamento" gay, última etapa no processo de desconstrução da família, iniciado há muito tempo com a permissão do divórcio.

Outro fator importante elencado pela fundadora do Instituto Ruth - uma organização dedicada à promoção da família - Jennifer Roback Morse, é o aumento da interferência do Estado nas questões familiares, por causa da nova definição do matrimônio.

O casamento é uma instituição pública, cuja finalidade natural é defender os direitos das crianças. Cabe ao Estado garantir esses direitos através da justiça. Toda criança tem o direito natural de conhecer sua origem, sua identidade e de relacionar-se com o pai e a mãe. Todavia, quando o casamento deixa de ter seu fundamento biológico para se tornar um contrato, inúmeros problemas aparecem: divórcios unilaterais, filhos fora do casamento, produção independente, prejuízo à educação das crianças e sexualização precoce. 

Criada a desordem, quem aparece para arrumar a bagunça, pergunta Jennifer Morse? O Estado. Ela afirma que "o governo hoje em dia interfere muito mais na vida privada das pessoas do que jamais o fez nos terríveis anos da década de 1950".

Em linhas gerais, a intenção dos esquerdistas e dos promotores do "casamento" gay nunca foi garantir "direitos iguais" aos homossexuais, mas tão somente aumentar o poder do Estado sobre a família e o comportamento dos seus filhos. 

Trata-se de uma engenharia social que caminha a passos largos e imita os rumos de países como a Suécia, um triste exemplo de nação na qual os pais não têm mais contato com seus filhos. A educação fica sob total responsabilidade do Governo, que os educa conforme a sua cartilha materialista e socialista.

E se resta alguma dúvida de que essa política está sendo empregada no Brasil, basta lembrar da recente lei promulgada pela presidente Dilma Rousseff que obriga os pais a matricularem seus filhos na escola a partir dos quatro anos de idade.

Por outro lado, infelizmente, pouquíssimas pessoas têm se dado conta da gravidade da situação. Não percebem que o que se está em jogo é a autonomia familiar, os direitos da criança e a liberdade religiosa. Alguns argumentam que isso é uma questão de foro íntimo e de liberdade de consciência. Não, não é!

Nenhuma nação é livre quando os direitos fundamentais do indivíduo são tolhidos logo na base, ou seja, quando crianças. Recorda Jennifer Roback Morse, "não é possível criar uma sociedade duradoura que sistematicamente mine o fundamento biológico da identidade humana".

Provavelmente, todos têm contato com filhos de pais separados, com crianças órfãs ou frutos de uma "produção independente". Todos sabem do sofrimento e da angústia delas. 

Não obstante, imaginem então o caso daquelas crianças geradas em barrigas de aluguel, geradas a partir de doações de sêmen, seja para pares homossexuais, seja para casais.


As manifestações realizadas na França e na Polônia não são apenas atos políticos de partidos de "extrema direita". São, antes de tudo, um ato heroico de um povo que percebeu a artimanha sorrateira dos liberais contra a família. 

Reproduzem a reta razão e o direito natural inscrito no coração do ser humano de que o matrimônio é uma realidade existente somente entre um homem e uma mulher, não só para a geração, mas também para a proteção e garantia da vida dos filhos.

E isso, nenhuma ideologia, por mais engenhosa que seja, será capaz de cancelar. Que elas possam inspirar mais e mais católicos e pessoas de boa vontade a se posicionarem de maneira clara contra a mentira e os projetos totalitários que procuram solapar a família.

Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere
Fonte: http://padrepauloricardo.org