quarta-feira, 1 de junho de 2011

AIDS - Camisinha VS Abstinência

ROMA, domingo, 11 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Igreja Católica é regularmente criticada por se recusar em apoiar o uso de preservativos na luta contra o aumento do HIV e da AIDS. Esta não aceitação não é apenas um sábio ensinamento moral, mas também tem sólidos fundamentos científicos.

Esta é a tese de um livro publicado recentemente pela National Catholic Bioethics Center, com sede na Filadélfia. Em Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West (Afirmar o Amor, evitar a AIDS: O que a África pode ensinar ao Ocidente), Matthew Hanley e Jokin de Irala consideram os motivos pelos quais os esforços para deter o vírus HIV na África tiveram tão pouco êxito e como isso está relacionado ao ter confiado nos preservativos.

Hanley foi conselheiro técnico de HIV/AIDS para a Catholic Relief Services até 2008 e é especialista em prevenção do HIV. Irala é vice-diretor do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública na Universidade de Navarra, Espanha.

Os autores começam observando que quase todas as instituições ocidentais que trabalham nesta área compartilham a firme opinião de que as estratégias de redução do risco devem ser prioridade, como a promoção do uso de preservativo. O que denominam de AIDS Establishment se concentrou nos meios técnicos em vez de numa mudança de comportamento.

A exceção disso foi a mudança na política dos Estados Unidos ao adotar a estratégia do ABC, seguindo o êxito de Uganda ao utilizar este sistema para tratar a AIDS. "A" é abstinência, "B" é ser fiel e "C" é o uso do preservativo.

O livro defende que são as duas primeiras partes desta estratégia as cruciais. De fato, em qualquer lugar da África que os índices de HIV abaixaram foram pelos resultados das mudanças fundamentais no comportamento sexual.

Prevenção

Tentar que as pessoas modifiquem seu comportamento não só tem mais êxito mas também, acrescentam os autores, é uma forma de retornar ao princípio da prevenção primária da medicina. A prevenção da transmissão do HIV é urgente em lugares do mundo como a África, onde há graves dificuldades para proporcionar um tratamento médico adequado.

Hanley e Irala fazem uma comparação com o consumo de tabaco. Talvez parecesse irreal mudar uma situação em que 75% das pessoas fumavam, mas as autoridades da saúde iniciaram campanhas que mudaram os estilos de vida com êxito.

Por que então, perguntam, quando se trata do tabaco, colesterol, vida sedentária e consumo excessivo de álcool, as autoridades consideram comportamentos que requerem uma mudança, mas o comportamento sexual associado à doença não?

Um problema, associado à confiança na redução do risco através de meios técnicos, ao invés da mudança de comportamento, é que pode levar ao que se denomina de risco de compensação. Isso significa que os benefícios obtidos por meio de algo pensado para reduzir o risco podem ser anulados quando as pessoas voltam ao seu comportamento descuidado.

Os autores apontam que só o cinto de segurança não é garantia de salvação, se alguém acredita que pode dirigir a uma velocidade maior que a indicada, porque está protegido por ele; da mesma forma, a promoção do preservativo pode levar a que as pessoas pensem que é seguro se envolver em uma maior atividade sexual.

Isso é especialmente relevante na África, onde os estudos mostram que quando um número importante de pessoas se envolve em relações sexuais concomitantes, a probabilidade de infecção é muito mais alta, se comparada com as de comunidades onde as pessoas reduzem suas relações múltiplas. Um declínio nas relações sexuais múltiplas é crucial para alcançar uma diminuição do índice de HIV, afirma os autores.

O melhor exemplo disto é Uganda, onde as taxas de infecção de HVI caíram de 15% em 1991 para 5% em 2001. O que trouxe esta radical variação foi uma importante mudança no comportamento sexual, observa o livro.

"Esta decisão inteiramente racional de evitar o risco de uma doença fatal e traumática alterando o comportamento tem salvado em última instância milhões de vidas", afirmam os autores.

Uso do preservativo

Ainda que o índice de uso do preservativo em Uganda tenha sido similar ao de Zâmbia, Quênia e Malauí, o número de companheiros sexuais "não-regulares" em Uganda diminuiu de modo significativo. Ainda que a porcentagem do HIV tenha baixado em Uganda, não diminuiu nos demais países.

Uma das razões por trás do êxito da modificação da conduta em Uganda, apontam os autores, é o trabalho das monjas e médicos católicos. Um bispo anglicano e um bispo católico estão entre os dirigentes da Comissão para a AIDS do país.

Infelizmente, nos últimos anos, o AIDS establishment ganhou influência em Uganda e a ênfase mudou para a promoção do uso de preservativos. Isso se tem acompanhado de um crescimento da transmissão do HIV.

Quênia, Tailândia e Haiti são outros países que os autores fazem referência para citar as evidências de estudos que mostram como a mudança de comportamento leva a uma redução nos índices de transmissão do HIV.

Pelo contrário, na África do Sul, onde a promoção do uso do preservativo tem sido prioridade, a persistência de altos índices de casais múltiplos ajudou a manter o nível de infectados pelo HIV em um nível que os autores descrevem como de "incidência alarmante".

A ideia da abstinência não combina com a cultura contemporânea, mas Hanley e Irala apontam que, ainda que a fidelidade seja o fator mais importante de êxito na África, a abstinência também é importante.

A abstinência influi no comportamento futuro, argumentam, e quanto mais rápido uma pessoa inicia a atividade sexual, mais parceiros sexuais é provável que tenha ao longo da vida, aumentando assim o risco de contrair HIV.

O livro faz referência a um estudo realizado pela Agency of International Development dos Estados Unidos, que considera as variáveis associadas com o predomínio do HIV em Benim, Camarões, Quênia e Zâmbia.

O estudo conclui que os únicos fatores associados a um menor predomínio do HIV foram um número reduzido de casais ao longo da vida (fidelidade), uma iniciação sexual com idade mais elevada (abstinência) e a circuncisão masculina. O estudo também revelou que o status econômico social e o uso de preservativos não se associavam a um menor predomínio do HIV.

Apesar desta e de outras evidências apresentadas no livro, os autores afirmam que os documentos sobre a AIDS publicados pelas Nações Unidas descrevem o uso de preservativo como a tecnologia mais eficaz para a prevenção da AIDS.

Sexualidade humana

Ainda que este debate sobre como tratar o HIV geralmente seja feito em linguagem científica, Hanley e Irala argumentam que é mais uma oposição entre duas posturas morais e filosóficas diante da sexualidade humana.

No outro lado está a cultura ocidental moderna que exalta a liberdade absoluta na busca do prazer. Isso explica o porquê este posicionamento conceitual busca meios técnicos para tratar as consequências indesejáveis da atividade sexual.

Em 9 de junho, o arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, dirigiu um discurso à Assembleia Geral sobre o tema do HIV/AIDS.

"Se desejamos combater a AIDS de forma realista, enfrentando suas causas mais profundas, e desejamos dar aos enfermos o cuidado amoroso de que necessitam, é necessário que proporcionemos às pessoas algo mais que conhecimento, capacidade, competência técnica e ferramentas", afirma.

Ele recomendava que fosse dedicada mais atenção e recursos para apoiar uma postura baseada em valores em linha com a dimensão humana da sexualidade.

Precisamos, continuou, de uma "avaliação honesta das situações do passado que podem ter sido baseadas mais na ideologia do que na ciência e valores, e uma ação decidida que respeite a dignidade humana e promova o desenvolvimento integral de todas e cada uma das pessoas da sociedade".

Um apelo a todos para colocar de lado seus preconceitos e ideias preconcebidas ao enfrentar este grave problema.

Autor: Pe. John Flynn, L. C.
Fonte: http://www.zenit.org/article-25475?l=portuguese

Tribunal americano rejeita definição de "casamento"

Críticas do episcopado a duas sentenças judiciais polêmicas

WASHINGTON, quarta-feira, 14 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Dom Joseph Kurtz, arcebispo de Louisville, presidente do Comitê da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos para a Defesa do Casamento, expressou profunda preocupação diante das recentes sentenças de uma corte de Massachusetts que rejeita a definição do casamento como a união entre um homem e uma mulher.

O arcebispo apresentou o ponto de vista da Igreja depois de que o juiz Joseph Tauro, da Corte Federal do Distrito de Massachusetts, estabelecera, em 8 de julho, que a lei federal atualmente em vigor que regulamenta o casamento (o "Defense of Marriage Act") viola o direito constitucional à igualdade jurídica dos parceiros homossexuais e constitui um impedimento para as competências de cada um dos Estados nesta matéria.

"O casamento - união entre um homem e uma mulher - é uma instituição única e insubstituível. O autêntico tecido da nossa sociedade depende dele. Não há nada que possa se comparar à união exclusiva e permanente do marido e da mulher", esclarece o prelado, em nome do episcopado.

"O Estado tem o dever de utilizar a lei civil para apoiar - e mais ainda, para privilegiar de maneira única - esta instituição vital da sociedade civil. As razões para apoiar o casamento com a lei são inumeráveis, começando pela proteção do papel único dos maridos e das mulheres, o indispensável papel dos pais e das mães, dos direitos dos filhos, que com frequência são os mais vulneráveis entre nós", acrescenta o bispo.

Por este motivo, em nome dos bispos dos Estados Unidos, Dom Kurtz expressa "profunda preocupação por estas sentenças perigosas e decepcionantes, que ignoram os mais claros objetivos do casamento e que, portanto, ofendem a autêntica justiça".

Autor: Agência Zenit
Fonte: http://www.zenit.org/article-25513?l=portuguese

Santa Sé será tribunal competente nos delitos contra a fé

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Congregação para a Doutrina da Fé, a partir de agora, é competente, em segunda instância, para julgar sobre os delitos contra a fé, que até então estavam reservados ao bispo diocesano.

Está é uma das mais importantes novidades introduzidas nas Normae de Gravioribus Delictis, por decisão de Bento XVI, e que foram dadas a conhecer hoje pela Santa Sé.

No novo texto das normas, introduziu-se uma série de emendas, tanto no referente à normativa processal como às figuras delitivas contempladas até agora.

Ainda que as novidades mais esperadas sejam as relativas aos processos jurídicos contra clérigos acusados de abusos sexuais a menores, não são, em absoluto, as únicas novidades.

Segundo explicou hoje a respeito disso o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ, em uma nota, pela primeira vez se consideram delicta graviora os delitos contra a fé, isto é, heresia, apostasia e cisma.

Em outras palavras, a Congregação para a Doutrina da Fé já não se limitará a emitir um parecer sobre a existência ou não da heresia, apostasia ou cisma, como ocorria ate agora. Ainda que o processo nestes casos, em primeira instância, continue sendo competência do bispo local, a Congregação passa a ter competência sobre os mesmos em segunda instância, como tribunal de apelação.

Outra das figuras que passam a ser competência da Congregação é o caso da tentativa de ordenação sagrada de uma mulher. Sobre a ordenação das mulheres, já existia um decreto de 2007, e por isso as Normas se limitam a incorporar a jurisprudência canônica existente.

Durante a apresentação das Normas, Dom Charles Scicluna, promotor de justiça ("fiscal") da Congregação para a Doutrina da Fé, explicou aos presentes que, neste caso, "a gravidade depende do fato de que se subverte o pensamento da Igreja e a fé da Igreja no sacramento da Ordem".

"É uma gravidade de diferente tipo de gravidade, que impacta, do abuso sexual a menores: não estão no mesmo nível. Mas evidentemente se encontram em um documento que procura sistematizar toda a competência sobre os delitos que estão reservados à Congregação", explicou Dom Scicluna.

Eucaristia e Penitência

Outra das novidades contidas nas Normas é uma explicitação maior dos casos de delitos contra a Eucaristia, que já eram considerados como delitos muito graves.

Concretamente, separaram-se dois casos penais que eram considerados uma única figura: atentar contra a ação litúrgica do Sacrifício Eucarístico e a simulação de tal ato.

Reserva-se também à Congregação para a Doutrina da Fé o delito que consiste na "consagração com uma finalidade sacrílega de uma só matéria ou de ambas na Celebração Eucarística ou fora dela".

São introduzidos também vários casos penais com relação à profanação do sacramento da Penitência. Concretamente, a escuta indireta da confissão de outra pessoa, sua gravação ou divulgação, sobre as que já se havia emitido um decreto de condena em 1988.

Outro novo tipo delitivo é o de tentar distribuir a absolução sacramental, não podendo dá-la validamente, ou a simulação da absolução sacramental.

"Não se trata tanto de determinações novas na substância, mas de incluir normas já em vigor, a fim de obter uma normativa completa mais ordenada e orgânica sobre os ‘delitos mais graves' reservados à Congregação para a Doutrina da Fé", explicou Lombardi durante a apresentação das novas Normas.

Autor: Inma Álvarez
Fonte: http://www.zenit.org/article-25526?l=portuguese

Significado das novas "normas sobre os delitos mais graves"


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Publicamos a nota (e uma síntese dela) divulgada hoje pelo Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, sobre o significado das novas "Normas sobre os delitos mais graves" [texto disponível em francês, inglês, italiano, latim, espanhol e alemão, N. Da T.], publicadas também hoje pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Síntese da nota do Pe. Federico Lombardi, SJ

As normas do ordenamento canônico para tratar dos delitos de abuso sexual de membros do clero em relação a menores foram publicadas hoje de maneira orgânica e atualizada, em um documento que se refere a todos os delitos que a Igreja considera excepcionalmente graves e que, portanto, estão sujeitos à competência do Tribunal da Congregação para a Doutrina da Fé: além dos abusos sexuais, trata-se de delitos contra a fé e contra os sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Ordem.

As normas sobre os abusos sexuais preveem, em particular, procedimentos mais rápidos para enfrentar com eficácia as situações mais urgentes e graves, e permitem a inclusão dos leigos na equipe dos tribunais, a prescrição passa a ser de 10 a 20 anos, equipara-se o abuso de pessoas com uso de razão limitado ao de menores, introduz-se o delito de pedo-pornografia. Propõe-se a normativa sobre a confidencialidade dos processos para proteger a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Dado que se trata de normas de ordenamento canônico, isto é, de competência da Igreja, não tratam do tema da denúncia às autoridades civis. No entanto, o cumprimento do previsto pelas leis civis faz parte das indicações dadas pela Congregação para a Doutrina da Fé desde as etapas preliminares do trato dos casos de abuso, como demonstram as "linhas-guia" já publicadas ao respeito.

A Congregação para a Doutrina da Fé também está trabalhando em indicações posteriores para os episcopados, de maneira que as diretrizes emanadas por eles, relativas a abusos sexuais a menores por parte do clero ou em instituições relacionadas com a Igreja, sejam cada vez mais rigorosas, coerentes e eficazes.

Nota completa do Pe. Federico Lombardi, SJ


Em 2001, o Santo Padre João Paulo II promulgou um decreto de importância capital, o Motu Proprio "Sacramentorum sanctitatis tutela", que atribuía à Congregação para a Doutrina da Fé a responsabilidade de tratar e julgar, no âmbito do ordenamento canônico, uma série de delitos particularmente graves, cuja competência em precedência correspondia também a outros dicastérios ou não era totalmente clara.

O Motu Proprio (a "lei", em sentido estrito) estava acompanhada de uma série de normas aplicativas e de procedimentos denominadas "Normae de gravioribus delictis". A experiência acumulada no transcurso dos 9 anos sucessivos sugeriu a integração e atualização de tais normas, com o fim de agilizar ou simplificar os procedimentos, tornando-os mais eficazes, ou para levar em consideração problemáticas novas. Este fato se deveu principalmente à atribuição por parte do Papa de novas "faculdades" à Congregação para a Doutrina da Fé que, no entanto, não se haviam incorporado organicamente nas "Normas" iniciais. Esta incorporação é a que acontece agora no âmbito de uma revisão sistemática de tais "Normas".

Os delitos gravíssimos aos que se referia essa normativa dizem respeito a realidades chaves para a vida da Igreja, isto é, aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, mas também aos abusos sexuais cometidos por um clérigo com um menor de 18 anos.

A vasta ressonância pública desse tipo de delitos nos últimos anos foi causa de grande atenção e de intenso debate sobre as normas e procedimentos aplicados pela Igreja para o juízo e castigo dos mesmos.

Portanto, é justo que haja plena clareza sobre a normativa atualmente em vigor neste âmbito e que tal normativa se apresente de forma orgânica para facilitar assim a orientação de todos os que se ocupem dessas matérias.

Uma das primeiras contribuições para o esclarecimento - muito útil sobretudo para os que trabalham no setor da informação - foi a publicação, há poucos mese, no site da Santa Sé, de uma breve "Guia para a compreensão dos procedimentos básicos da Congregação para a Doutrina da Fé com relação às acusações de abusos sexuais". No entanto, a publicação das novas Normas é diferente, já que apresenta um texto jurídico oficial atualizado, válido para toda a Igreja.

Para facilitar a leitura por parte do público não especializado que se interessa principalmente pela problemática relativa aos abusos sexuais, destacamos alguns aspectos.

Entre as novidades introduzidas com relação às normas precedentes, é preciso sublinhar antes de mais nada as que têm como fim que os procedimentos sejam mais rápidos, assim como a possibilidade de não seguir o "caminho processal judicial", mas proceder "por decreto extrajudicial", ou a de apresentar ao Santo Padre, em circunstâncias particulares, os casos mais graves em vista da demissão do estado clerical.

Outra norma encaminhada a simplificar problemas precedentes e a levar em conta a evolução da situação da Igreja é a de que sejam membros do tribunal, advogados ou procuradores, não somente os sacerdotes, mas também os leigos. Analogamente, para desenvolver estas funções, já não é estritamente necessário o doutorado em Direito Canônico. A competência requerida pode se demonstrar de outra forma, por exemplo, com um título de licenciatura.

Também é preciso ressaltar que a prescrição passa de 10 a 20 anos, restando sempre a possibilidade de derroga superado esse período.

É significativa a equiparação aos menores das pessoas com uso de razão limitado, e a introdução de uma nova questão: a pedo-pornografia, que é definida assim: "a aquisição, possessão ou divulgação", por parte de um membro do clero, "de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas que tenham como objeto menores de 14 anos".

Volta-se a propor a normativa sobre a confidencialidade dos processos para tutelar a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Um ponto ao qual não faz referências, ainda que frequentemente é objeto de discussão nesta época, tem a ver com a colaborarão com as autoridades civis. É preciso levar em consideração que as normas que se publicam agora fazem parte do regulamento penal canônico, em si completo e plenamente diferente do dos Estados.

Neste contexto, pode-se recordar, no entanto, a "Guia para a compreensão dos procedimentos..." publicada no site da Santa Sé. Em tal "guia", a indicação "devem seguir-se sempre as disposições da lei civil em matéria de informação de delitos às autoridades competentes" foi incluída na seção dedicada aos "Procedimentos preliminares". Isso significa que na práxis proposta pela Congregação para a Doutrina da Fé, é necessário adequar-se desde o primeiro momento às disposições de lei vigentes nos diversos países e não ao longo do procedimento canônico ou sucessivamente.

A publicação destas normas supõe uma grande contribuição para a clareza e para a certeza do direito em um campo no qual a Igreja neste momento está muito decidida a agir com rigor e transparência, para responder plenamente às justas expectativas de tutela da coerência moral e da santidade evangélica que os fiéis e a opinião pública nutrem por ela e que o Santo Padre reafirmou constantemente.

Naturalmente, também são necessárias outras muitas medidas e iniciativas, por parte de diversas instâncias eclesiásticas. A Congregação para a Doutrina da Fé, por sua vez, está estudando como ajudar os episcopados do mundo inteiro a formular e colocar em prática com coerência e eficácia as indicações e diretrizes necessárias para enfrentar o problema dos abusos sexuais de menores por parte de membros do clero ou no âmbito de atividades ou instituições relacionadas à Igreja, levando em consideração a situação e os problemas da sociedade em que trabalham.

Os frutos dos ensinamentos e das reflexões amadurecidas ao longo do doloroso cado da "crise" devida aos abusos sexuais por parte de membros do clero serão um passo crucial no caminho da Igreja, que deverá traduzi-las em práxis permanente e ser sempre consciente delas.

Para completar este breve repasso das principais novidades contidas nas "Normas", também é preciso citar as relativas a delitos de outra natureza. De fato, também nestes casos, não se trata tanto de determinações novas em substância, mas de incluir normas já em vigor, a fim de obter uma normativa completa mais ordenada e orgânica sobre os "delitos mais graves" reservados à Congregação para a Doutrina da Fé.

Mais concretamente, incluiu-se: os delitos contra a fé (heresia, apostasia e cisma), para os quais são normalmente competentes os ordinários, mas a Congregação é competente em caso de apelação; a divulgação e gravação - realizadas maliciosamente - das confissões sacramentais, sobre as quais já se havia emitido um decreto de condenação em 1988; a ordenação das mulheres, sobre a qual também existia um decreto de 2007.

Autor: Pe. Federico Lombardi, SJ
Fonte: http://www.zenit.org/article-25525?l=portuguese

A fascinante vida da beata Mary Mackillop

A Fundadora das Irmãs de São José será canonizada no próximo dia 17 de outubro

ROMA, sexta-feira, 16 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Audaz, intrépida e à frente de seu tempo. Ao mesmo tempo doce, bondosa e muito espiritual. Assim era Mary Mackillop (1842-1909), a primeira australiana a ser reconhecida como santa.

Bento XVI irá canonizá-la no próximo dia 17 de outubro na Praça de São Pedro, no Vaticano. Para conhecer mais detalhes de sua vida, ZENIT entrevistou a postuladora da causa de canonização, a Ir. Mary Casey, das Irmãs de São José do Sagrado Coração, congregação religiosa fundada pela futura santa.

ZENIT: Como Mary Mackillop viveu em sua infância e juventude?

Irmã Mary Casey: Mary MacKillop, filha de imigrantes, nasceu em Scotland (Melbourne), uma cidade que tinha somente sete anos de existência. A Austrália havia sido colonizada por europeus cerca de 100 anos atrás. Seus pais, Alexander e Flora, chegaram de forma separada, mas talvez tenham se conhecido na Escócia, seu local de procedência.

Mary nasceu em 15 de janeiro de 1842, foi a primeira dos 8 filhos. Seu pai não tinha um emprego estável e, por isso, eles mudavam muito. Muitas vezes dependiam de seus familiares para poder viver. Desde muito nova Mary teve de trabalhar, primeiro em uma papelaria, depois como professora e como instrutora de seus primos. Mary amava a natureza e tinha um grande afeto por sua família.

ZENIT: Como sentiu o chamado para fundar as “Filhas de São José”?

Mary Casey: Quando Mary era instrutora no sudeste da Austrália, deu-se conta de que havia muitas crianças na área rural que não tinham educação, especialmente as crianças católicas. Ela sonhava em ser religiosa, mas deixou de lado este sonho para ajudar sua família. Enquanto trabalhava como instrutora, conheceu um sacerdote, o Pe. Julian tenison Woods, cuja paróquia era muito grande, tinha praticamente a mesma extensão que a Inglaterra. Ele a apoiou em seu sonho. Ela não quis entrar em nenhuma congregação religiosa que estava presente na Austrália, cujo trabalho estava mais focado nas cidades. Em 1866, ela e sua irmã abriram o primeiro colégio em um estábulo desativado que fica em Penola. Assim nasceu a congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração.

Aconselharam Mary que se mudasse para Adelaide, onde a nova congregação se expandiu tão rápido quanto as outras colônias da Nova Zelândia. Pediram seu apoio. Logo Mary definiu algumas casas para as moças solteiras grávidas, para as mulheres que saíram da prisão e para idosos carentes.

ZENIT: Quais são suas principais virtudes?

Irmã Mary Casey: Lembramos de Mary tanto pelas obras que fez como pela pessoa que foi. Ela viveu o Evangelho, o imperativo de amar o próximo como a si mesma. Ela deu dignidade aos pobres, especialmente para as mulheres que estavam num ambiente de grandes dificuldades. Tratava os indígenas com o respeito que até esse momento ninguém havia tratado. Como instrutora, se fez amiga das crianças indígenas e lhes ensinou a ler e escrever.

ZENIT: De onde vinha tanta bondade?

Irmã Mary Casey: Mary recebeu de sua mãe uma profunda fé na Providência de Deus. Ela viveu como muitos crentes e contagiava suas irmãs pela fé. Sua fé viva, sua ativa esperança, caridade e abertura para a ação da graça nutriam sua vida diária e se faziam evidentes no exercício de suas virtudes.

Com valentia, doçura e compaixão, viveu isolada nas zonas rurais com os habitantes das favelas e com as pessoas de classe trabalhadora. Ela foi leal à Igreja e teve um carinho especial pelos sacerdotes e pelo apostolado deles. Nunca permitiu que suas irmãs de comunidade falassem mal de um sacerdote ou bispo. Seu dom em maior destaque foi a bondade.

Depois de sua beatificação, o primeiro-ministro da Austrália dirigiu-se ao Parlamento, reiterando sua contribuição. “As qualidades que ela consagrou – abertura e tolerância, valentia, persistência, fé e amor pelos demais – são qualidades que as nações devem viver, seja pessoal ou comunitariamente” (Paul Keating, 21 de janeiro de 1955).

Há dois anos, durante sua visita a Sydney para a Jornada Mundial da Juventude, o Papa Bento XVI, referindo-se a Mary MacKillop, disse: “conheço sua perseverança em momentos de adversidade, sua pregação pela justiça em nome dos que são tratados injustamente e seu exemplo prático de santidade, virtudes que se converteram em uma fonte de inspiração para todos os australianos”.

ZENIT: Por que dizem que era uma mulher com uma mentalidade avançada para seu tempo?

Irmã Mary Casey: Por várias razões. Em primeiro lugar, na Austrália, ela queria que suas irmãs estivessem sob o comando de uma religiosa que era a superiora geral, e que tivesse a liberdade de enviá-la onde fosse necessário. Naquela época, as religiosas estavam sob a jurisdição do bispo local. Ela queria que suas irmãs vivessem como os pobres, em pequenas comunidades de duas ou três irmãs e em lugares distantes, onde tanto a missa como os sacramentos nem sempre estavam ao alcance delas. Além disso, ela tinha uma visão da Austrália como um todo, quando esta era apenas um país formado por colônias individuais.

ZENIT: Um acontecimento insólito ocorreu em sua vida: a excomunhão pelo bispo de Adelaide, por que isso aconteceu?
Irmã Mary Casey: As razões de sua excomunhão são complexas. Mas o problema final foi que um dos conselheiros do bispo disse a Mary que o bispo queria que ela voltasse imediatamente para a zona rural. Mary respondeu que ela necessitava vê-lo antes de retornar para lá. Sua resposta foi comunicada ao bispo como uma rejeição a seu pedido. Seus conselheiros lhe recomendaram excomungá-la e assim ele procedeu.

ZENIT: O que ela fez?

Imrã Mary Casey: Quando Mary foi excomungada, as outras irmãs foram proibidas de falar com ela e muitas foram afastadas da congregação. Mary foi acolhida por seus amigos e por comerciantes judeus, que proporcionaram para ela uma casa. Os padres jesuítas perceberam esta injustiça e continuaram a ministrar-lhe os sacramentos. Cinco meses depois da excomunhão, o bispo percebeu seu erro e em seu leito de morte enviou um dos sacerdotes para que cancelasse a sentença. Durante o tempo de excomunhão, Mary nunca pronunciou uma palavra contra o bispo e continuou orando por ele.

ZENIT: Qual foi o milagre para sua canonização?

Irmã Mary Casey: Foi a cura de uma mulher que sofria de um grande câncer que na teoria não tinha cura nem tratamento algum. Tinham dado a ela poucas semanas de vida, no tardar alguns meses. Sua família, seus amigos e as irmãs de São José oraram por meio da intercessão da beata Mary MacKillop para sua rápida recuperação. Passaram-se dois anos e ela está viva, bem e conforme as mais estritas provas de evidência médica, livre do câncer.

"EllaOne" - Anticoncepcional de emergência ou pílula abortiva?

Novo fármaco é aprovado pelo FDA dos EUA


WASHINGTON, domingo, 18 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Um novo fármaco classificado entre os anticoncepcionais de emergência estará disponível dentro das próximas semanas nas prateleiras das farmácias norte-americanas para qualquer mulher maior de 17 anos.
Trata-se da pílula “Ella” ou “EllaOne”, aprovada em 17 de junho pelo Food and Drug Administration (FDA), agência do governo dos EUA de controle de alimentos e medicamentos.

A pílula é eficaz até cinco dias após o intercurso sexual. Segundo o laboratório farmacêutico francês HRA Pharma, que produz o fármaco, trata-se de uma “versão melhorada” da pílula do dia seguinte.

Como age?

“EllaOne” contém uma substância chamada acetato de ulipristal (CDB-2914), um modulador seletivo dos receptores da progesterona. Atua bloqueando a ação da progesterona, hormônio produzido pelo organismo da mulher para induzir as transformações necessárias para acolher o óvulo fecundado, fixando-o no útero.

O ulipristal é tóxico para o embrião, e pode provocar sua morte no caso de já estar implantado no útero.

A substância tem efeitos semelhantes aos da mifepristona e da pílula RU-486, introduzidos no mercado norte-americano há cerca de 10 anos.

Manipulação

Erin Gainer, diretor da HRA Pharma, declarou que “a contracepção de emergência representa uma necessidade terapêutica real”.

“Nosso objetivo é garantir a disponibilidade do EllaOne para os milhões de mulheres que podem dele necessitar”, acrescentou. “Pretendemos colocar em marcha, mediante nossas estruturas comerciais e de marketing e nossa rede de parceiros privilegiados, projetos que assegurem este objetivo”.

Falando com ZENIT em maio de 2009, o professor Lucio Romanos, diretor do departamento de ciências obstétrico-ginecológicas , urológicas e de medicina reprodutiva da Universidade de Nápoles “Federico II”, destacou que a campanha de promoção do novo fármaco “apresenta a gravidez, quando não planejada, como uma doença a ser tratada”.

Por sua vez, o Population Research Institute, em nota enviada a ZENIT, convida a refletir sobre a possibilidade de um fármaco “impedir a gravidez cinco dias após uma relação sexual”, esclarecendo que “os espermatozóides podem alcançar a trompa e fecundar o óvulo em poucos minutos”.

A HRA Pharma insiste que a pílula não é abortiva. “Segundo seu ponto de vista, a gravidez não se inicia com a concepção, mas com a implantação do embrião no útero da mãe, cinco a sete dias depois”, afirma o comunicado do Population Research Institute.

Para a entidade, a estratégia envolve uma campanha de desinformação, manipulando a linguagem para iludir a consciência das mulheres.

Pontos contrários

Diversos grupos pró-vida nos EUA têm se pronunciado contra o fármaco, defendendo a vida desde sua concepção. Beth Lauver, diretora do apostolado arquidiocesano Respect Life, afirmou que a inovação consiste simplesmente “em outra forma de aborto precoce”.

Para o Dr. Brian Gosser, do Centro Médico Saint Anthony de South County, o principal aspecto de controvérsia em relação ao fármaco reside “na questão moral sobre quando de fato a vida tem início”.

“Se acreditarmos, tal qual ensina a Igreja, que a vida se inicia no momento em que o óvulo e o espermatozóide se unem, então evidentemente qualquer fármaco que atue impedindo a implantação do embrião é abortivo, e portanto, moralmente inaceitável”, afirmou.

Autor: Carmen Elena Villa
Fonte: http://www.zenit.org/article-25545?l=portuguese

Crítica aos ídolos modernos

ROMA, quarta-feira, 20 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Já está nas livrarias italianas o último livro de Michael Schooyans, "Conversações sobre os ídolos da modernidade", publicado pela editora Edizioni Studio Domenicano.

Pe. Michael Schooyans não é um articulista ou jornalista profissional, nem tampouco um monge de longas barbas brancas; é um octogenário cheio de energia, que dividiu a vida entre a experiência de missionário na América Latina - especialmente no Brasil - e as atividades de docência junto à Universidade Católica de Lovanio, no intrigante campo da filosofia política e do estudo das ideologias contemporâneas.

Os dois últimos pontífices o honraram com uma estima incondicional, nomeando-o membro da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, da Academia Pontifícia para a Vida e do Conselho Pontifício para a Família - fato que se torna fácil de compreender ao ler algumas páginas de seu último livro.

O livro é uma coletânea de entrevistas, divididas por assunto, uma escolha que tem seus prós e contras. Sem dúvida, a despeito do trabalho de redação, não se poder evitar notar algumas repetições e certa fragmentação do discurso, o que, em textos do gênero, é o preço inevitável a pagar; por outro lado, esta estrutura oferece uma leitura ágil, incompleta, porém livre do peso próprio de um ensaio no estilo clássico.

Aos leitores que ainda não tiveram a oportunidade de ter contato com este autor em alguma de suas obras anteriores, como "A nova desordem mundial" ou "Terrorismo de face humana", vale dizer que se trata de um dos mais agudos e corajosos analistas dos problemas de nosso tempo, uma voz, entre muitas, capaz de um contraponto às falsas promessas do pensamento unânime globalizado, nos campos mais diversos como a defesa da vida, o caráter central da família, as novas fronteiras da bioética e da medicina.

Sem se permitir seduzir pelos clássicos ‘mantras' do politicamente correto, ao ser indagado a respeito do mais importante recurso à disposição do Brasil, o Pe. Schooyans responde: "Os meninos de rua - desde que se aceite o desafio de educá-los"; a aqueles que sustentam que os recursos naturais representam a limitação última, ele responde que estas não existem, já que nada do que possa ser definido como recurso o é por natureza, e sim apenas pela ação da inteligência humana; e que assim, não outro recurso autêntico além da própria vida humana - cujo florescer hoje todos parecem temer.

Acompanhando seus argumentos, caracterizados por uma lucidez nítida e cristalina, seja a respeito dos desvios das agências da ONU ou dos perigos do ecologismo tão em moda, permitindo-se enxergar o planeta a partir de sua ótica, nota-se entre que seu diagnóstico contundente dos problemas contemporâneos não esconde seu otimismo confiante.

Cada resposta é um desafio a fazer renascer no leitor a paixão e a confiança no homem e na razão, uma onda de ar fresco em meio à atmosfera sufocante dos debates atuais sobre o homem e sobre a política, cada vez mais marcados por uma mentalidade mortífera quase anti-humana.

Um desafio à atmosfera cultural construída pelas grandes agências de pensamento de nossos tempos, capilarmente difundida por um poder cada vez mais submetido aos interesses da mídia, para quem os governos democráticos progressivamente perdem terreno.

Autor: Luigi Conti
Fonte: http://www.zenit.org/article-25578?l=portuguese